

Dar um mergulho no mar, caminhar na areia, surfar, olhar aquela imensidão azul… Frequentar o litoral assiduamente é uma delícia, mas também é uma arte que envolve contornar eventuais perrengues e ficar esperto nas condições do mar (e da fauna) pra não entrar em roubada. Identificar de longe uma corrente de retorno — a principal causa de afogamento no mar —, saber como tratar queimadura de água-viva, evitar mancha de limão. Aqui, a gente lista essas e outras manhas importantes pra um final de verão sem surpresas desagradáveis.
Entrar e sair do mar em praia de tombo
Atire a primeira pedra quem nunca saiu com a roupa de banho — e o cabelo, o ouvido… — cheios de areia em lugares como Ipanema e Maresias. Pra entrar de boa em praias de tombo, a dica é esperar o mar recuar e, quando ele já estiver voltando, correr e “furar” a onda. Pra sair, pegue carona no fluxo de uma onda, fique atento à arrebentação atrás de você e não dê bobeira na beirinha.
Identificar e escapar das correntes perigosas
As correntes de retorno, que puxam pro fundo, são a principal causa de afogamento nas praias. Pra escapar delas, não entre no mar onde se forma um “canal”, sem ondas quebrando, com um fluxo que lembra o de um rio. Se mesmo assim acabar caindo em uma, dê um jeito de ficar calmo e, ao invés de nadar na direção da praia, nade na transversal, numa linha paralela à areia, até escapar da massa de água que puxa pro fundo. Depois, nade até sair do mar.
Tomar cuidado com areia contaminada
Todo mundo sabe que é perigoso entrar no mar quando a qualidade da água está imprópria pra banho. O problema é que, especialmente em praias urbanas, é comum que a areia também esteja contaminada com bactérias e microorganismos que podem causar gastroenterite, infecção urinária, micoses, verminoses e outras doenças que podem estragar o seu rolê.
Isso quer dizer que você deve deixar de ir à praia? Não. Mas, definitivamente, não é uma boa usar a areia de um pico muito movimentado como esfoliante ou rolar até virar croquete. Pra sentar, é melhor levar uma cadeira ou, pelo menos, canga ou toalha. Também vale tomar uma ducha depois de sair do mar ou ter um contato intenso com a areia e troque, o antes possível, as roupas de banho molhadas, que costumam acumular areia e pressioná-la contra a pele e as partes íntimas.
Tratar “queimadura” de água-viva
O melhor a se fazer é lavar com água salgada ou soro fisiológico, retirar os restos de tentáculos (o melhor jeito é com uma luva ou com uma pinça, e não sacudindo) e aplicar vinagre — os salva-vidas costumam ter um pouco justamente pra essas situações. Se o ferimento for mais grave e houver reação além do ardor — dificuldade pra respirar e engolir, dor no peito e de cabeça, câimbras, náuseas e vômitos —, corra pro hospital. Lembre-se: não se trata “queimadura” de água-viva com xixi.

Usar de forma correta o protetor solar
Já foi pra praia, passou protetor solar e, mesmo assim, se queimou? Isso pode ter acontecido porque você não usou a quantidade correta ou da forma correta. Pra que o protetor solar cumpra realmente a sua função, é preciso aplicá-lo a cada duas horas e/ou depois de suar muito ou entrar no mar. Também é necessário passar uma camada generosa, que cubra toda a pele de forma homogênea. Sobre o FPS, não use um menor que 30.
Cuidar de “picada” de peixe venenoso ou arraia
Pisou em um peixe-pedra, arraia ou peixe-escorpião? Ui! Isso dói. Os primeiros socorros incluem submergir a ferida em água bem quente por cerca de meia hora. O calor “quebra” o veneno. Mas é essencial procurar ajuda médica pra limpar a ferida, remover o ferrão e tomar medicamentos pra alívio da dor e prevenção de infecção.
Evitar manchas de limão
Em contato com o sol, o suco do limão e de outros cítricos pode causar manchas escuras e até queimaduras na pele. Por isso, lave as mãos e a boca muito bem depois de tomar a próxima caipirinha na praia — ficar na sombra do guarda-sol não adianta. Se a mancha já tiver surgido, o que dá pra fazer é resfriar a região com compressas de água fria pra aliviar a inflamação e a coceira e manter a pele hidratada.
Comer é uma delícia, mas...
Nosso país tem uma cultura praiana tão pulsante e variada que acabou desenvolvendo uma gastronomia adaptada à areia. Pastel, espetinho de camarão, lula frita, isca de peixe, acarajé, queijo coalho… A lista é infinita e, só de falar, já dá aquela água na boca. Mas também é possível que venha aquela queimação no estômago — especialmente se juntarmos com batidas, caipirinha... Se você não quer passar o resto da viagem no banheiro, escolha bem as suas batalhas. Quem sabe levar uma fruta ou um lanchinho mais saudável pra intercalar com as gostosuras fritas?

Viver perto do mar faz bem
Um estudo publicado na revista Communications Earth & Environment no ano passado comprovou cientificamente algo que a gente já intuía: morar perto do mar — ou pelo menos visitar o litoral com frequência — melhora a nossa saúde. A pesquisa, liderada por Sandra Geiger, do Grupo de Psicologia Ambiental da Universidade de Viena, ainda chegou à conclusão de que esse benefício é democrático, ou seja: não depende da situação econômica da pessoa ou do país em questão.
Um dos motivos é que estar perto do oceano propicia a prática de exercícios físicos dentro e fora da água, o que reforça a saúde cardiovascular, fortalece os músculos, entre muitos outros benefícios. A vida praiana também proporciona exposição ao sol, o que ajuda o corpo a sintetizar a vitamina D, essencial pra saúde dos ossos, pro sistema imunológico e até pra saúde mental. Além disso, o simples ato de olhar pra aquela imensidão azul traz calma e relaxamento, amainando o stress e a ansiedade.
Se você não mora na praia, vale saber que o estudo apurou que não é só o mar que traz esses benefícios à saúde. Viver perto de lagos ou rios saudáveis pode ser igualmente bom pro corpo e a cabeça.
O sem-noção da praia
Vale lembrar aqui que o litoral é um espaço público, onde a liberdade de um não pode soterrar a do outro na areia. E existem algumas boas práticas que podem ser seguidas pra você não ser o sem-noção da praia. Por exemplo: não bombar o som na caixinha; não colar o guarda-sol no do amigo do lado quando houver espaço de sobra; se afastar da galera quando for jogar frescobol; e levar todo o seu lixo com você: o palito do queijo-coalho, o saquinho de plástico, o copinho descartável… Bora fazer com que o rolê de todo mundo seja bacana?
Pra saber mais:
· Nossos posts sobre as comidas de praia do Brasil e o que as pessoas comem com os pés na areia ao redor do mundo.
· O blog Janelas Abertas, onde Luísa Ferreira compartilha dicas e reflexões sobre viagens, sempre com base no turismo consciente.
· Nossa playlist Pra ouvir perto do mar, feita em parceria com a Tecla Music Agency.
· O documentário Dunas do Barato, sobre como Ipanema influenciou a cultura de praia do Brasil.

No episódio mais recente do Desenrola, nosso podcast, a psicanalista, comunicadora e pesquisadora de relações Carol Tilkian e a produtora de conteúdo e criadora do podcast Eta Porra! Cah Fernandes conversam sobre o presente e o futuro dos relacionamentos. Hoje, são várias as configurações e acordos possíveis pra uma relação. E cada vez mais pessoas vêm entendendo e testando esse novo mundo. Mas será que a monogamia vai acabar? Ouça aqui.
🚨 Alerta de spoiler: Na próxima segunda-feira (04/3), o papo é sobre mudar de ideia. Convidamos a escritora, criadora de conteúdo e empresária Jana Rosa e a comunicadora, especialista em saúde mental e psicanalista Elisama Santos pra falar sobre os benefícios de repensar nossas opiniões em relação a certos assuntos, além de tentar entender por que, muitas vezes, essa atitude ainda é vista como sinal de fraqueza na nossa sociedade. Siga o Desenrola na sua plataforma de áudio favorita pra não perder nada!
texto: Adriana Setti e Dandara Fonseca | arte: Eduardo Gayotto
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