Você já viu essa cena: uma pessoa sozinha num quarto silencioso e vazio, sentada diante de uma tela ou um papel em branco, esperando a ideia inovadora surgir. Essa imagem foi repetida tantas vezes em livros, filmes e histórias que acabou moldando no nosso imaginário a crença de que a criatividade surge na solidão, para os poucos que possuem esse dom — e aos demais resta apenas observar.

Mas o primeiro passo pra quem quer trilhar uma carreira na área criativa é entender que os projetos e as soluções dos quais a gente mais se orgulha raramente nascem de um rompante de genialidade. Na vida real, criar é um processo que envolve construir repertório, estudar, experimentar, trocar com outros profissionais e produzir muitas versões até chegar ao resultado final. Ou seja, você não precisa esperar o insight perfeito aparecer. Precisa criar espaço pra que ele se desenvolva.

O que a infância ensina

A criatividade é uma habilidade que precisa ser exercitada. E talvez a infância seja o momento em que fazemos isso com mais naturalidade: inventamos mundos, perguntamos sem parar, transformamos qualquer objeto em brinquedo e testamos possibilidades sem nos preocupar se aquilo vai dar certo, se tem finalidade ou vai nos fazer passar vergonha.

Com a chegada da vida adulta, a brincadeira dá lugar à produtividade, a curiosidade precisa competir com a pressa e errar deixa de ser natural pra virar algo que evitamos a qualquer custo. E é aí que muita gente acaba se afastando do processo criativo. Mas, com uma boa dose de liberdade e estímulo, dá pra encontrar prazer nesse exercício e continuar explorando essa dimensão da vida sempre que possível.

A colaboração é genial

Com a nossa capacidade de atenção tão comprometida, momentos de silêncio e concentração são importantes pra organizar o pensamento. Mas algumas das melhores ideias nascem de bons encontros. Se conectar com profissionais interessantes estimula a criatividade e ajuda a colocar novos projetos em prática. Além disso, a energia coletiva contagia: observar as pessoas que admiramos concentradas, criando, errando e insistindo pode ser altamente inspirador.

No início da carreira, essa troca é ainda mais valiosa, pois ajuda a descobrir caminhos possíveis, o que gostamos e até o que realmente não queremos fazer. Melhor ainda se ela acontecer entre talentos e perspectivas complementares. Sua criatividade é desafiada quando você se expõe a perguntas inesperadas, comentários e referências fora do seu radar.

A mente criativa precisa de fricção. Trabalhar sem ninguém por perto ou seguir um caminho autodidata pode ser confortável, mas também nos leva a repetir padrões. A colaboração com outros profissionais gera um atrito saudável que evita o piloto automático e nos mantém em movimento.

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Colocando em prática

Criatividade precisa entrar na agenda. Da mesma forma que você reserva tempo para as obrigações de casa e do trabalho, vale criar espaço pra aquilo que alimenta o seu repertório: assistir a um filme cuja estética é diferente de tudo que você já viu, visitar uma exposição, pesquisar sobre os assuntos mais aleatórios, testar as ferramentas de um aplicativo de criação, colaborar com outros artistas…

O home office não é desculpa pra se limitar ao trabalho solitário. Dá pra combinar um dia de expediente com amigos e, de vez em quando, aproveitar a flexibilidade pra passar algumas horas em um café, um coworking, uma biblioteca ou outros lugares que reúnem pessoas de diferentes áreas. Muitos centros culturais oferecem oficinas de criatividade com práticas como marcenaria e fotografia.

Nem tudo precisa ser um encontro ou uma saída. Hábitos pequenos no dia a dia também contam: anotar ideias antes de esquecê-las, fazer mais perguntas, guardar referências. No fim, o principal é não esperar a criatividade aparecer pra começar a criar. O movimento é o contrário: quanto mais espaço damos pra curiosidade e pra experimentação, maior a probabilidade do processo criativo se tornar algo natural.

Errar faz parte

Quando olhamos pro trabalho de outras pessoas, quase sempre vemos o resultado final. O projeto pronto, a campanha publicada, o livro na estante, a música lançada. Com as redes sociais, isso fica ainda mais evidente: acompanhamos o sucesso, mas raramente as frustrações.

Aí fica fácil querer desistir quando alguma coisa não funciona de primeira ou interpretar uma tentativa mal sucedida como um sinal de que não levamos jeito. Mas vale lembrar que por trás de todo projeto criativo existe um processo cheio de rascunhos, testes, erros, mudanças de rota e versões que nunca chegaram ao público.

A criatividade é humana

Por mais que os avanços sejam rápidos e muitas vezes impressionantes, a tecnologia não substitui o fator humano nessa equação. Mas ela pode eliminar etapas repetitivas e acelerar processos operacionais. Ferramentas como a Creative Cloud Pro (Photoshop, Illustrator, Lightroom, Premiere Pro e After Effects), da Adobe, ajudam criativos a dedicar mais tempo ao que realmente gera valor: pesquisar, testar possibilidades, errar, resolver problemas, refazer, aprimorar.

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Pra saber mais:

· O livro O Caminho do Artista: Desperte o seu potencial criativo e rompa seus bloqueios (2017), de Julia Cameron.
. As oficinas de criatividade oferecidas pelo Sesc.
· O episódio “O que é a curiosidade”, do podcast Naruhodo.
· O post “Primeiro você começa, depois melhora”, do The Summer Hunter.
· Este estudo publicado em 2021, que relaciona a prática de atividades criativas a maiores níveis de felicidade e bem-estar.

TSH Indica: A Era da Confiança

Na próxima quinta-feira (27), especialistas em reputação, autenticidade e experiência de marca se encontram no STATE pra discutir como se reinventar diante da cegueira digital causada pela saturação de conteúdo, o esgotamento da atenção e a popularização da inteligência artificial generativa. A programação da 11ª edição do “THE STATE OF LEARNING” conta com três momentos: pílulas de conhecimento com profissionais do mercado, um painel mediado pela jornalista Dandara Fonseca, do The Summer Hunter, e um brunch pra fechar com conexão real. As inscrições são gratuitas e os participantes têm direito a um day pass pra aproveitar os espaços de trabalho do STATE.

Poucas coisas têm o poder de capturar nossa atenção tão rapidamente quanto a frase “eu tenho uma fofoca pra contar”. Essa troca pode aproximar, informar, divertir e até criar vínculos. Mas também é capaz de expor, distorcer histórias e causar estragos. No novo episódio do Desenrola, o jornalista Chico Barney reflete sobre esse universo e os limites entre curiosidade e invasão. Assista ou ouça agora!

texto: Dandara Fonseca | edição: Fernanda Nascimento

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