As primeiras memórias de viagem de muita gente são em família: no banco de trás do carro — às vezes disputando espaço com irmãos, malas e todo tipo de tralha —, nas férias escolares ou em passeios no fim de semana. São lembranças que sobrevivem em fotos guardadas em caixas de sapato, fitas de vídeo na estante e histórias que são repetidas a cada data comemorativa.

Mas, conforme a vida adulta chega, nossos companheiros de viagem costumam mudar. Réveillons passam a ser celebrados entre amigos, as férias ganham novos parceiros e as oportunidades de sair da rotina com pais, avós, tios e outras pessoas mais velhas da família tornam-se raras. Aqui, a gente reúne motivos pra fazer as malas e viajar com quem sempre esteve por perto.

Pra além do almoço de domingo

Realizada por Nathan Yau, doutor em Estatística pela Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos Estados Unidos, a pesquisa comportamental American Time Use Survey analisou dados de 2011 a 2019 pra mapear nossos hábitos de convivência ao longo da vida. Entre os 15 e 20 anos, a família ainda ocupa um espaço central: cerca de 80% dos participantes passam tempo com os pais e 60% com os irmãos. Mas essa presença diminui ao longo da vida adulta: por volta dos 30 anos, apenas 10% ainda afirmam conviver frequentemente com os parentes mais próximos.

Poucas horas no almoço de domingo, um jantar corrido durante a semana, uma ligação em meio a mensagens de trabalho e outras distrações: pra muitas pessoas, esse é o ritmo que cabe no dia a dia. Uma viagem, mesmo que curta, abre espaço pra convivência longe da pressa e dos imprevistos cotidianos. É um tempo pra conversar com calma, se reconectar e criar novas memórias.

Já garantiu seu exemplar da oitava edição da revista do The Summer Hunter? São 140 páginas de conteúdo solar — com entrevistas, guias de viagem, ensaios, reportagens, passatempos e mais —, lombada quadrada e três opções de capa. Dá pra receber em casa ou escolher a versão digital. Compre a sua!

Faz bem pra eles

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul acompanhou um grupo de idosos em um roteiro turístico e observou que 72% deles tiveram uma melhora na função cognitiva — alguns até voltaram a lembrar de tarefas do dia a dia que já tinham esquecido. A hipótese é que novas experiências ajudam o cérebro a criar associações e ativar memórias antigas.

Já uma pesquisa realizada pela Universidade Edith Cowan, na Austrália, sugere que quebrar a rotina e se expor a novos contextos, como acontece em uma viagem, auxilia em processos ligados ao envelhecimento saudável.

Ainda mais comum entre os idosos, a solidão muitas vezes está ligada ao afastamento da família do cotidiano. Viajar ajuda a amenizar essa sensação ao fortalecer o senso de pertencimento e conexão. De quebra, ainda incentiva mais movimento, com caminhadas e outras atividades.

Lidando com as partes difíceis

Nem tudo vai sair como em um comercial de margarina. Diferenças de ritmo, hábitos e personalidades podem gerar alguns atritos — algo bastante comum em qualquer convivência familiar. A boa notícia é que algumas escolhas ajudam a tornar a experiência mais leve pra todo mundo.

Longas horas no carro ou no avião costumam ser especialmente cansativas pra pessoas mais velhas. Como a ideia da viagem é justamente aproveitar essa companhia, vale priorizar destinos de fácil acesso ou investir em mais conforto no trajeto. A infraestrutura também conta: farmácias, restaurantes e transporte acessível por perto fazem diferença.

Cuidado pra não transformar a viagem em uma maratona. Roteiros lotados, horários apertados e uma agenda cheia de compromissos podem ser a receita perfeita pro estresse, já que dificilmente a família toda tem o mesmo pique. Em vez disso, que tal apostar em poucas atividades e reservar tempo livre pra conversar, descansar, jogar cartas ou tomar um café sem pressa? No fim das contas, são esses momentos que acabam se tornando as melhores lembranças.

Quer viajar pelo Brasil? A gente indica por onde começar!

Cunha (SP)
Na Serra da Bocaina, a 200 km de São Paulo e 300 km do Rio de Janeiro, Cunha é mais que um destino de montanha. Além de pousadas aconchegantes e bons restaurantes rústicos, tem ateliês de cerâmica tradicionalíssimos, cultivos de oliveiras e cogumelos, campos de lavanda e um calendário cheio de festivais.

Parque Nacional do Iguaçu (PR)
Um dos melhores destinos de ecoturismo do Brasil, o parque também está entre os mais preparados pra receber visitantes de todas as idades. Quem não consegue percorrer a Trilha das Cataratas (cerca de 1,5 km) pode seguir de ônibus até a Garganta do Diabo, a mais famosa das 275 quedas d’água. Além de outras trilhas leves e passeios de aventura, ainda dá pra explorar a cidade de Foz do Iguaçu e suas vizinhas gringas.

Barra de São Miguel (AL)
A 28 km de Maceió, Barra de São Miguel combina águas mornas e praias protegidas por arrecifes com boa infraestrutura turística — beach clubs, esportes náuticos e restaurantes. Mas o destino também guarda trechos mais tranquilos: praias afastadas do centro, lagoas e áreas de mangue que revelam outras paisagens.

Belo Horizonte (MG)
Se a sua família curte a vida boêmia, poucas cidades brasileiras levam a cultura do boteco tão a sério quanto Belo Horizonte. Nos bares e restaurantes da capital mineira os encontros são sem pressa, acompanhados de comida farta e longos papos. Também vale estender a viagem para o Inhotim, museu de arte ao ar livre a uma hora de distância, que tem boa infraestrutura e carrinhos elétricos pra visitar as obras e jardins.

Pra saber mais:

· Nosso post com sete dicas pra viajar — em paz — com a família.
· O podcast Isso não é uma sessão de análise, onde Vera Iaconelli recebe convidados pra falar sobre família.
· Essa lista com oito aplicativos pra facilitar a sua viagem.
· Os filmes Pequena Miss Sunshine e Nebraska.

Áudio no 2x, notificação no meio da frase, resposta antes de ouvir algo até o fim... Em tempos de atenção disputada, estar realmente presente em uma conversa parece cada vez mais difícil. No episódio mais recente do Desenrola, Natália Sousa, criadora do podcast Para dar nome às coisas e autora do livro Medo de dar certo, e Rosana Hermann, jornalista, roteirista e física, refletem sobre a importância de ouvir de verdade — e não apenas pra responder. Ouça agora!

O QUE UMA MULHER BUSCA AO VIAJAR SOZINHA?

O lema da Costa Rica — “pura vida” — tem razão de ser. Especialmente pra mulheres que viajam na sua própria companhia. O país é o destino latino-americano mais bem colocado no ranking Women, Peace and Security (“Mulher, Paz e Segurança”), produzido pelo Georgetown University’s Institute for Women, Peace and Security (GIWPS) em parceria com The Peace Research Institute Oslo (PRIO). Além disso, com 26% de seu território protegido por leis ambientais, concentra vulcões, praias (no Caribe e no Pacífico!), montanhas e florestas em uma área menor que o Rio Grande do Norte. Ou seja, um lugar que proporciona segurança, autonomia e muitas oportunidades de viver ao ar livre e, não à toa, é a primeira nação da América Latina a entrar no top 5 do Relatório Mundial da Felicidade.

texto: Dandara Fonseca | edição: Fernanda Nascimento

☀️
Nós somos o The Summer Hunter, uma plataforma de conteúdo que acredita que o verão é mais do que uma estação do ano; é um estado de espírito. Nos siga no Instagram, onde publicamos conteúdo inédito diariamente, sempre às 7h30 da manhã. Coloque um pouco de música na sua rotina com as nossas playlists em parceria com a Tecla Music e garanta o seu exemplar da edição #08 da nossa revista impressa.

Continue lendo

Ver mais
caret-right