Poucas coisas evidenciam tanto a velocidade acelerada do tempo como analisar os costumes, as linguagens e as manias de cada geração. É tudo muito rápido: de um dia pro outro, você para de entender o que o seu sobrinho escreve e vira um dinossauro aos olhos de um amigo ou colega de trabalho mais novo.

Quem já viveu umas boas dezenas de anos pode estranhar certas mudanças. Quando é que a sigla FDS deixou de significar fim de semana e virou um palavrão? Isso sem falar no hang loose que indicava uma ligação telefônica — que não só caiu em desuso como deu lugar a uma mão espalmada no ouvido. Pra completar, tem gente que nunca teve um telefone com oito dígitos e dispensa a pausa dramática depois do 9 na hora de ditar um número de celular.

Mas, nessa história, não tem certo ou errado: são comportamentos que marcam a virada das gerações e espelham como a gente aprendeu a viver.

Pelo oitavo ano consecutivo, o The Summer Hunter lança sua publicação impressa, com 140 páginas, acabamento de livro e projeto gráfico renovado. Entre os conteúdos, um especial sobre a importância da leitura, entrevistas com nomes como Monja Coen e Ailton Krenak, um guia de viagem de João Pessoa, ensaios fotográficos e visuais, reportagens que vão da febre latina ao jazz do subúrbio do Rio, passatempos e muito mais. Clique aqui e garanta a sua!

Distância tecnológica

É esperado que quem nasceu em um mundo conectado saiba navegar melhor pelas redes e confie a uma pequena tela de celular decisões e tarefas complexas, como comprar uma passagem de avião, realizar transações bancárias ou preencher formulários — pro terror da geração anterior, que salvava documentos em três disquetes só pra garantir.

Aqueles que cresceram depois dos anos 2000 podem até achar natural ter todos os nossos dados, fotos e contatos na nuvem, mas não faz nem 40 anos que a internet se popularizou. Acompanhar a velocidade dessa evolução e aprender a lidar com as novas ferramentas que surgem a cada minuto não é tarefa impossível, mas quem nasceu acreditando que qualquer tela é touch screen sai na vantagem.

Não é guerra

É fácil falar mal da geração anterior ou seguinte à nossa — afinal, as diferenças aparecem no trabalho, na família... Mas os millennials não querem rixa com os baby boomers e a Gen Z não é inimiga da Alfa: se juntar direitinho, todo mundo sai ganhando.

Segundo estudo da Universidade de Stanford, nos EUA, relações intergeracionais melhoram a vida dos dois lados. Entre muitas vantagens, os mais jovens ganham habilidades sociais e emocionais, experiência e uma atenção que, muitas vezes, não tiveram em casa. Já os mais velhos podem se abrir a novas perspectivas de mundo, aumentando o otimismo e diminuindo o estresse.

Nostálgicos e adultescentes

Se você não sente falta do CD pulando no discman ou das fotos pixelizadas das primeiras câmeras de celulares, pode apostar: tem jovem que sente saudades daquilo que nem viveu. Hoje, vemos a geração que nasceu na era digital revivendo câmeras de baixíssima resolução, discos de vinil e revistas dos anos 2000, além de lotarem salas de cinema com reboots de filmes antigos que marcaram a infância de seus pais ou avós.

Esse apego ao que já passou pode ter várias explicações. Em um mundo cada vez mais acelerado e padronizado, revisitar o passado vira uma forma de buscar autenticidade. Pra quem cresceu falando com os amigos mais pelo celular do que na vida real, a nostalgia também funciona como tentativa de criar vínculos mais concretos e humanos: “A Geração Z carrega em si um sentimento apocalíptico. Nasceu e cresceu num contexto de crise permanente”, analisa a publicitária Maria Galindo, em entrevista ao jornal O Globo. “Por isso, costuma olhar pro passado como um lugar em que as coisas deram certo.”

Orgulho do passado

Fazer sinais e referências que remetem a tecnologias que ficaram pra trás, digitar com o indicador ou reagir a uma mensagem com “👍” em uma conversa de WhatsApp não é ultrapassado ou obsoleto — afinal, ser jovem não significa ser melhor ou evoluído. Muito mais importante do que a idade é a maneira como abraçamos a passagem do tempo e a experiência que ganhamos, mesmo que isso signifique desaprovar o novo significado de FDS — e ofender alguém só querendo contar do seu fim de semana.

Pra saber mais:

· Nosso post sobre amadurecimento e como o tempo passa dentro de nós.
· Essa matéria do G1 que explica em detalhes as características, os comportamentos e as visões de mundo das diferentes gerações.
· O livro Uma história da velhice no Brasil (Ed. Vestígio), da historiadora Mary Del Priore, que reconstrói os significados e as complexidades por trás do envelhecimento no país.
· Nosso post sobre a importância de ter amigos de todas as idades.
· O podcast Escute as mais velhas, que celebra a trajetória de mulheres como Conceição Evaristo e Luiza Trajano.

☀️
Nós somos o The Summer Hunter, uma plataforma de conteúdo que acredita que o verão é mais do que uma estação do ano; é um estado de espírito. Nos siga no Instagram, onde publicamos conteúdo inédito diariamente, sempre às 7h30 da manhã. Coloque um pouco de música na sua rotina com as nossas playlists em parceria com a Tecla Music e garanta o seu exemplar da edição #08 da nossa revista impressa.

Newsletter #202

Continue lendo

Ver mais
caret-right