

Foi o best-seller Kitchen Confidential, publicado em 2000, que fez com que o chef norte-americano Anthony Bourdain saísse das cozinhas hardcore de Nova York pra devorar o mundo. Na frente das câmeras — em programas como A Cook’s Tour, da Food Network, No Reservations, do Travel Channel, e Parts Unknown, da CNN —, fez tudo do seu jeito, trazendo pra TV um tipo de espontaneidade inédita no jornalismo de viagem e usando a comida como porta de entrada pra entender outras culturas.
Viajar só pra postar? Querer estar nos lugares aonde todo mundo vai? Moldar o roteiro pelos destinos que hyparam por causa de uma série ou um vídeo viral? Anthony Bourdain certamente teria opiniões fortes sobre a maneira como muitas pessoas passaram a viajar na era das redes sociais — em 2018, ano de sua morte, o TikTok estava apenas começando sua expansão fora da China. Justamente por isso, seu legado é mais valioso do que nunca. E você nem precisa ser tão rock’n roll pra se inspirar em alguns aspectos do seu jeitão único de sair pra ver o mundo. Aqui, a gente lista o que ainda podemos aprender com ele:
Quem quer ver tudo não vê nada
Se você ficar na função de ticar os itens do seu checklist, não vai curtir de verdade. Pra absorver o que se vê, ouve e sente durante uma viagem, é preciso desacelerar e focar no momento presente. Ao saltar de um lugar pro outro com o intuito de “otimizar” o seu tempo, sua cabeça está sempre um passo à frente, negligenciando o que está acontecendo no agora.
Cultive sempre a curiosidade
Basta um olhar curioso pra transformar o simples em extraordinário. Anthony Bourdain fez disso um modo de existir: sentar em qualquer mesa, ouvir histórias e atravessar fronteiras sem preconceito. A curiosidade funciona como um radar: se você não estiver com ela ativada, vai passar batido por muita coisa que acontece do seu lado.

Qualquer lugar pode ser interessante
Um destino não precisa ser bonito, limpinho e fotogênico pra ser incrível. Pra Anthony Bourdain, o principal motivo de uma viagem era entender como as pessoas vivem, o que pensam e, claro, o que comem. E isso pode acontecer em qualquer lugar, independentemente de ter palacetes do século 18 ao seu redor ou estar diante de um mar azul.
O mais caro não é necessariamente o melhor
Lençol de algodão egípcio, ovos benedict, restaurantes badalados, ingressos que permitem “furar” a fila do museu. É gostoso? Claro que sim. Mas acredite: não é disso que você vai se lembrar daqui a uns anos. Muitas vezes, aliás, você não precisa gastar nem um dólar pra viver os momentos mais incríveis da viagem.
Não tenha medo de não saber
Ok, você pode até tentar se adaptar à cultura ao seu redor e se misturar aos locais assimilando a etiqueta vigente. Mas, spoiler: todo mundo vai saber que você é um turista mesmo assim. Não se preocupe tanto com isso. Pergunte, observe, experimente.

Fale com desconhecidos
As pessoas são a chave pra você entender onde está e acessar a cultura local. Ao longo da carreira, Bourdain usou a comida como ponto de partida pra discutir cultura, política e desigualdade com quem encontrava pelo caminho. Se virar pra aprender umas palavras na língua local, usar mímica e não ter vergonha de puxar conversa com pessoas aleatórias eram suas especialidades. E, veja bem: você leva a vantagem de poder fazer tudo isso sem a pressão das câmeras e no conforto do anonimato.
Coma coisas estranhas
Viajar é sua grande oportunidade de experimentar o novo com todos os sentidos, a começar pelo paladar. Parar em uma barraquinha de street food, observar o que as pessoas pedem, como elas comem, como interagem... Parece simples, mas é uma ferramenta extraordinária pra mergulhar em uma nova cultura. Todas as experiências nesse sentido vão ser prazerosas? Não. Mas até os momentos de aperto — e de correria até o banheiro mais próximo — renderão boas memórias e história pra contar.
Abrace o perrengue
Alguma coisa sempre dá errado em uma viagem — até quando ela é empacotada e planejadíssima. Ao invés de se comportar como o marido insuportável da primeira temporada de White Lotus, aproveite pra rir da sua própria desgraça. São justamente essas histórias que você vai contar na roda do bar.
Vai do jeito que dá
Se ficar esperando o momento perfeito, o orçamento perfeito, a companhia perfeita, talvez você não vá. O amigo que ia junto deu o cano? Bora experimentar uma viagem solo. Não deu pra juntar a grana pro hotel dos sonhos? Partiu hostel. Ter jogo de cintura é uma habilidade primordial de um discípulo de Anthony Bourdain.

O desconforto faz parte
Um lugar que mexe com suas convicções pode fazer você sentir coisas estranhas. E são justamente essas sensações e reflexões incômodas que fazem com que uma viagem seja transformadora. Viajar sem sair da sua zona de conforto pode até ser uma delícia, mas não é o tipo de experiência que vai expandir os seus horizontes.
Planejar muito mata o tesão de viajar
Dá pra viajar no Carnaval sem planejar meses antes? Nem sempre. Mas deixe espaço pro improviso: é na espontaneidade que a mágica acontece. Quanto mais blindado é o roteiro, menos contato você tem com o inesperado. O excesso de previsibilidade tira a fricção que provoca encontros, histórias e até a sensação de conquista.

Pra saber mais:
· Este perfil da The New Yorker traduzido pela Piauí, que relata, entre outras coisas, o encontro de Bourdain com Barack Obama em Hanói.
· O livro Cozinha Confidencial, o começo de tudo.
· Volta ao Mundo: Um Guia Irreverente, um guia póstumo de viagem.
· O documentário Roadrunner: A Film About Anthony Bourdain, sobre o lado sombrio do chef.

O QUE FAZ UMA PESSOA ADULTA DORMIR BEM?

Dormir em paz, na vida adulta, é um estado mental construído com pequenas certezas: porta trancada, boleto pago, despertador acionado. Silêncio absoluto e blackout na janela? Curtimos. Mas bom mesmo é saber que a casa — física e digital — está sob controle. Só que, enquanto você desacelera no conforto do lar, o Wi-Fi, a Smart TV Samsung, os assistentes virtuais e outros dispositivos conectados ao app SmartThings no celular Galaxy continuam rodando em segundo plano. E aí entra o Samsung Knox, que protege esses e outros dispositivos da sua casa inteligente, proporcionando aquela tranquilidade que a pessoa adulta precisa, tendo a certeza de que esse ecossistema não está exposto, espionado ou vulnerável.
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texto: Adriana Setti
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