No início da vida adulta, viajar de forma simples não costuma ser escolha, mas necessidade: uma mistura de grana curta e pouca experiência. Com o tempo — e a idade! — a tendência é investir em comodidade: hotel impecável, transfers agendados, entradas compradas, restaurantes pesquisados a dedo, reservas feitas. Afinal, no seu tempo livre, o que você menos quer é esquentar a cabeça.

Mas será que tanta organização (e investimento) não está fazendo com que você deixe de viver o que realmente importa? Às vezes, o mais marcante em uma viagem é o que acontece quando você abre mão do controle.

Tudo em ordem

Há alguns anos, montar um roteiro era quase uma operação: a menos que você tivesse o apoio de um bom agente de viagens, reservar hotéis, transportes, passeios e restaurantes era uma tarefa que envolvia muita pesquisa e dezenas de ligações que pesavam no bolso. Com a tecnologia, surgiram ferramentas digitais que simplificaram tudo, e rapidamente se tornaram parte do nosso dia a dia.

Organizar uma viagem com antecedência traz uma série de benefícios. Um dos principais tem a ver com economizar: é possível comparar preços e escolher o que realmente tem o melhor custo. Além disso, os sistemas de reviews ajudam a evitar armadilhas — como o restaurante “pega-turista”, ou seja, caro e ruim — e a escolher um hotel em um bairro mais bem localizado, por exemplo. Mas não é só questão de praticidade: como sociedade, estamos cada vez menos tolerantes à incerteza. Ter um cronograma fechado em mãos dá uma sensação de previsibilidade e controle, o que nos oferece segurança e reduz a ansiedade.

Porém...

Quanto mais blindado é o roteiro, menos contato você tem com o inesperado. O excesso de previsibilidade tira a fricção que provoca encontros, histórias e até a sensação de conquista. É nas imperfeições que a viagem deixa de ser produto e vira memória.

Você mira em evitar desconfortos, mas também evita transformações. São os imprevistos — o ônibus que quebra, a chuva que chega sem aviso, o caminho errado — que mudam nossa percepção de mundo e nos tiram da bolha.

Quebra de expectativa

São inúmeros os destinos que viralizam na Internet e, de repente, viram o sonho de muita gente. Uma pesquisa realizada pela Booking.com em 2023 mostrou que 39% dos brasileiros se inspiram em conteúdos das redes sociais pra escolher e planejar suas viagens. O problema é que, quanto mais vídeos e posts você vê de um lugar, maior a expectativa. Não à toa, os relatos de frustração diante de pontos turísticos famosos no mundo digital se multiplicam.

A obsessão por montar listas intermináveis de “melhores lugares” e aproveitar cada minuto também cobra caro: a viagem pode acabar drenando energia e, ao final, sobrar a sensação de não ter feito “tudo que devia”. Além disso, mesmo que a antecipação ajude a evitar perrengues, eles (quase sempre) acontecem. Você lida bem? Ótimo. Mas, pra algumas pessoas, esse é um convite pra se amargar — tipo o marido insuportável da primeira temporada de White Lotus, sabe?

•

COMO VOCÊ ANDA SE RELACIONANDO?

O The Summer Hunter adora investigar o que anda rolando por aí — e poucas coisas mexem tanto com a gente quanto as relações humanas. Por isso, junto com a ACE Post-Consultancy, queremos entender como andam nossas relações hoje. Responda à nossa pesquisa!

•

O preço da comodidade

Talvez você já tenha dinheiro pra fazer a viagem dos sonhos, ou conhecer novos destinos com mais frequência, como gostaria. No entanto, pra isso, é preciso cortar alguns itens supérfluos e se abrir pro novo. Lençol de algodão egípcio, ovos benedict, táxi em dólar, restaurantes badalados, ingressos que permitem “furar” a fila do museu, países com moeda forte. É gostoso? Claro que sim. Mas acredite: não é disso que você vai se lembrar daqui a uns anos.

Hotéis luxuosos também podem nos afastar da comunidade local. Muitas vezes, o contato com a cultura se resume a uma versão estereotipada e pasteurizada, preparada especialmente pra quem vem de fora. O turismo de base comunitária surge como um contraponto a tudo isso. Nele, moradores da região apresentam o destino, gerenciam acomodações e experiências, e recebem uma parte maior da renda. Estudos mostram como esse modelo fortalece famílias, gera empregos e ajuda a preservar a cultura e o meio ambiente.

Caminho do meio

A ideia não é ir atrás de situações estressantes só pra ter histórias pra contar, nem romantizar viagens com pouco conforto — que pra muita gente não são uma escolha, mas a única opção. Como em quase tudo, o caminho do meio costuma ser o mais interessante. Dá pra planejar o essencial e, ainda assim, deixar espaço pro acaso, pra criatividade e para os encontros inesperados que só acontecem quando a gente não está com tudo cronometrado.

Viajar mais leve é, no fundo, estar de peito aberto pra se maravilhar com o mundo. A filósofa belga Helen de Cruz, autora de Wonderstruck: How Wonder and Awe Shape the Way we Think, descreve essa sensação como um pacote de emoções que surge quando nos deparamos com algo imenso, inesperado e até incompreensível. E é justamente aí que mora a beleza de uma viagem.

Pra saber mais:

· Nosso post sobre a volta dos agentes de viagem.
· O livro The Good Girl's Guide to Getting Lost: A Memoir of Three Continents, Two Friends, and One Unexpected Adventure (2011), de Rachel Friedman.
· A matéria “How I Learned to Stop Overplanning My Travels and Go With the Flow”, da Vogue.
· O episódio “Quando as coisas não saem como planejamos”, do podcast Psicologia na prática.

ENTRE FICAR EM CASA E OUVIR O FOMO

Maratonar séries é gostoso? Sim, mas sair com a galera também. E nem sempre é fácil encontrar a resposta pra esse dilema entre a delícia de ficar em casa e aproveitar a vida lá fora. Junto com FYS, o refri e tônica do Grupo HEINEKEN com todo sabor e menos açúcar, lembramos que as melhores histórias a gente vive perto das pessoas que importam. Bateu aquela preguiça de sair? Que tal chamar os amigos pra se jogar no sofá com você, com direito a pipoca e FYS? Vontade de rolê? Bora reunir a galera na pizzaria com um refri ou sair pra tomar um bom drink!

Apesar da imagem clássica do influenciador ainda ser alguém com o celular na mão, falando direto pra câmera, cada vez mais perfis provam que dá pra conquistar o público sem mostrar o rosto — usando fantoches, filtros e até páginas de conteúdo. No novo episódio do The Summer Hunter Vozes, gravado durante um talk no YOUPIX Summit 2025, Ricardo Moreno, do The Summer Hunter, Eli Garcia, mente por trás do alienígena do perfil @eubatianave, e Mathoso Santana, criador da personagem @adenia_chloe, conversam sobre os ganhos e as perdas dessa forma de produzir conteúdo. Ouça agora!

☀️
Nós somos o The Summer Hunter, uma plataforma de conteúdo que acredita que o verão é mais do que uma estação do ano; é um estado de espírito. Nos siga no Instagram, onde publicamos conteúdo inédito diariamente, sempre às 7h30 da manhã. Ouça nossos podcasts, o Drops Solares e o The Summer Hunter Vozes, e coloque um pouco de música na sua rotina com as nossas playlists em parceria com a Tecla Music. Explore a nossa linha de acessórios desenvolvida em collab com a Allcatrazes. E pra ter acesso a benefícios exclusivos, faça parte do clube de membros assinando a nossa news diária, a Drops Solares.

Continue lendo

Ver mais
caret-right