Até pouco tempo, ser influenciador e atuar no mercado corporativo pareciam funções incompatíveis. De um lado, a lógica da exposição e da autopromoção; do outro, a discrição e a formalidade. Mas esse cenário vem mudando. Cada vez mais estagiários, trainees e profissionais de diferentes áreas têm usado as redes sociais pra compartilhar suas rotinas dentro e fora do escritório — muitas vezes, como parte de suas funções.

São casos como o de Ingrid Ferreira, do perfil @hey.indyy, que trabalha em uma marca esportiva e posta vídeos na academia, dando dicas de onde fazer home office ou participando de eventos da empresa. Ou de Roberta Medina, a @sourobertamedina, que fala dos benefícios oferecidos pela empresa de tecnologia na qual trabalha, publica dicas sobre como se maquiar pra ir ao escritório e dá conselhos de carreira pra quem está começando.

Em boa parte dos casos, o apoio vem das próprias empresas. Hoje, companhias como Claro, Unilever e Pepsico já contam com programas pra transformar seus funcionários em microinfluenciadores. Em três anos, os influenciadores da Pepsico, por exemplo, fizeram 2,5 mil postagens, com mais de 4 milhões de visualizações. Aqui, exploramos os possíveis benefícios e os desafios dessa nova forma de criar conteúdo.

Down in the high society

Os influenciadores digitais começaram a ganhar protagonismo por volta de 2010. Diferente das celebridades da TV e das revistas, sempre cercadas de muito glamour e distanciamento, as figuras que surgiam na Internet pareciam viver uma realidade mais próxima da nossa — e, muitas vezes, viviam mesmo. Eram (supostamente) mais espontâneas, acessíveis e reais. Essa sensação de proximidade despertava identificação e credibilidade no público. Foi esse vínculo emocional que impulsionou o boom do marketing de influência, especialmente entre 2014 e 2019.

Nos últimos anos, no entanto, essa relação começou a se desgastar. Uma pesquisa da Ipsos realizada em 32 países e divulgada no ano passado revelou que 58% das pessoas consideram os influenciadores pouco confiáveis — o que coloca a profissão na penúltima posição do ranking global de confiança. Entre as principais razões estão a artificialidade das publicidades, a falta de transparência, a saturação de conteúdos muito semelhantes e uma audiência cada vez mais crítica e exigente.

Mas isso não significa que todas as formas de influência estão em baixa. Os microinfluenciadores — perfis com menos de 100 mil seguidores — vêm ganhando espaço, especialmente entre a Geração Z. Segundo um relatório da HubSpot, esses criadores são vistos como referências confiáveis até na hora de tomar decisões importantes, como escolher um médico ou um novo emprego. É nesse cenário que empresas têm apostado em seus próprios colaboradores pra mostrar tanto seus produtos, quanto os valores e os propósitos da empresa.

Empresa feliz

Investir em microinfluenciadores internos pode ser uma forma eficaz de reduzir custos e, ao mesmo tempo, aumentar a credibilidade da empresa. Quando alguém de dentro compartilha sua experiência, o conteúdo soa mais espontâneo, verdadeiro e autêntico.

E não é só o time de marketing (ou o financeiro) que agradece — o RH também sai ganhando. Em um cenário de crise no mundo do trabalho, com altos índices de insatisfação, burnout e falta de motivação, especialmente entre jovens adultos, iniciativas que valorizam a experiência do colaborador conquistam ainda mais relevância. Ver alguém falando com leveza e entusiasmo sobre seu trabalho ou destacando os benefícios oferecidos pela empresa pode ser decisivo na hora de atrair novos talentos.

Segundo dados do site de empregos Zippia, 57% dos norte-americanos que estão procurando emprego usam as redes sociais como ferramenta de busca. Só no TikTok, a hashtag #corporatetiktok, usada por criadores que compartilham conselhos de carreira, já soma mais de 3,6 bilhões de visualizações. Estar bem ranqueado em listas como a Great Place To Work continua sendo relevante — mas, cada vez mais, quem convence é quem aparece no feed.

Funcionário feliz?

Do lado do funcionário, o cenário é mais delicado. Pra algumas pessoas, criar conteúdo é um desejo genuíno. E, em um mundo onde saber se comunicar nas redes se tornou um diferencial profissional, ter acesso a cursos ou experiências na área, com o apoio da empresa, pode ser uma oportunidade valiosa.

Mas, pra que essa dinâmica funcione de forma saudável, os acordos precisam ser claros desde o início — começando pela descrição do cargo. Se a criação de conteúdo no perfil pessoal for uma expectativa real da função, ela deve estar formalizada entre as responsabilidades e ser viável dentro da jornada de trabalho. Ou então, envolver contratos à parte, com escopo e remuneração especiais. Sem esses cuidados, a prática pode facilmente se tornar exploratória e causar sobrecarga.

Transformar colaboradores em influenciadores também pode gerar um ambiente de pressão silenciosa, no qual se espera que todos estejam sempre entusiasmados, falem bem da empresa e performem felicidade o tempo inteiro. Fica a pergunta: até que ponto isso se distancia de práticas como a de supermercados chineses que usam IA pra monitorar os sorrisos dos funcionários? Ou do caso da app Tiffany Joy, que “incentivava” a postagem de fotos alegres durante o expediente?

Pés no chão

Equilibrar a rotina de trabalho com a vida pessoal não é simples. E quando o profissional começa a ocupar também o próprio feed e os stories, fica ainda mais fácil perder a medida: falar só da empresa, nunca conseguir se desconectar, transformar a produtividade no único fio condutor da identidade etc.

Apesar disso, os influenciadores de crachá podem cumprir um papel relevante. Além de oferecer conselhos muitas vezes mais úteis do que os influenciadores de palco, eles compartilham uma realidade mais próxima da maioria da população: gente que passa horas no transporte público, lida com prazos apertados e precisa equilibrar múltiplas obrigações. No fim, ajudam a desfazer a ilusão de que a vida profissional se resolve com uma frase de efeito ou um planner bonito.

Pra saber mais:

· O livro Influência (2025), de Renato Ortiz.
· Nosso post sobre a alegria forçada e a obrigação de amar o seu emprego.
· A matéria “Conheça os 'blogueiros CLTs', que mostram a rotina e os perrengues de trabalho nas redes sociais”, do G1.
O TEDx “Work is broken. Gen Z can help fix it”, da fundadora e presidente do ThinkLab Amanda Schneider.

O AFETO QUE SE REVELA NOS DETALHES

Declarações e grandes gestos de amor podem até ser importantes. Mas, na vida adulta, o afeto muitas vezes se revela nos detalhes: um café quente compartilhado, um abraço apertado em um dia difícil, um almoço feito com calma. São essas pequenas alegrias que preenchem nossa rotina com amor, cuidado, conexão e, sobretudo, sentido. Presente em muitos desses momentos, a Cadence tem produtos de alta praticidade, que facilitam o dia a dia e abrem espaço pro que realmente importa: aproveitar intensamente os instantes que fazem a vida valer a pena.

💬 Adriana
🎵 31° Prêmio da Música Brasileira - Homenagem Tim Maia, no Spotify
A homenagem que rolou no Prêmio da Música Brasileira do ano passado acaba de ser organizada em uma playlist do Spotify que traz uma lista de artistas fora de série reinterpretando clássicos de Tim Maia. Tem Ney Matogrosso, Rachel Reis, Sandra de Sá, Negra Li, Alceu Valença, Criolo, Tony Tornado, Carlinhos Brown e muito mais.

💬 German
🎭 Dzi Croquettes sem Censura, no Teatro Itália
Essa é pra quem estiver em SP: o espetáculo revisita a história dos Dzi Croquettes, um dos grupos mais revolucionários do teatro brasileiro. Em plena ditadura, criaram liberdade com os próprios corpos. Meio século depois, sua trajetória ganha novo fôlego no olhar de Ciro Barcelos, um dos integrantes originais.

💬 Renata
📱 @nordestesse
Passei o São João em Aracaju e fiquei ainda mais apaixonada pela cultura nordestina. Por estar aqui, o algoritmo me sugeriu essa conta que reúne o melhor da criatividade do Nordeste: moda, música, arte, gastronomia e turismo. Massa demais descobrir tantos talentos nordestinos em cada post.

💬 Ricardo
🎵 Psycho Killer, do Talking Heads + novo single de David Byrne
Pra marcar os 50 anos do primeiro show da banda, saiu um clipe inédito do hino Psycho Killer, com Saoirse Ronan vivendo 13 dias repetitivos e emotivos, sob direção de Mike Mills. E tem mais: David Byrne lançou Everybody Laughs, primeiro single do seu novo disco. Um melting pot de caos, beleza e humanidade, uma característica dos trabalhos do eterno talking head.

💬 Manu
📱 @jasmimavelino
Fui à pré-estreia do curta-metragem "Do Leme ao Pontal", sonhado e idealizado pela bióloga e surfista Jasmim Avelino, dirigido pela Bia Pinho e produzido pela Pagü Gang. O curta é belíssimo — tanto que ganhou prêmio de melhor fotografia e melhor filme no Floripa Film Fest — e, terminado o circuito de exibições e festivais, vai chegar às plataformas. Enquanto isso não acontece, meu convite é pra seguir a Jasmin e ficar de olho nas novidades, tanto do curta, quanto do movimento que ela lidera, o Bailarinas do Mar, de incentivo ao longboard feminino. E viva o surfe delas!

💬 Duda
🎵 Lotus, de Little Simz
O novo álbum da rapper inglesa (após o término com seu produtor e amigo de infância) explora diversos ritmos, sempre mantendo seu forte estilo de rimar e com várias collabs, como na faixa título do álbum Lotus — com Michael Kiwanuka e Yussef Dayes. Parece que a ruptura trouxe um combustível criativo explosivo.

💬 Fernanda
📺 Long Bright River, na Max
Dividida em oito episódios, a série conta a história de uma policial da Filadélfia que tenta encontrar sua irmã enquanto uma série de assassinatos acontece. É o tipo de produção que você tem que assistir prestando bastante atenção, porque tem muita coisa acontecendo, mas vale a pena. Além de protagonista, Amanda Seyfried também é a produtora da série.

💬 Dandara
📖 Fechado por Motivo de Futebol, de Eduardo Galeano
Tenho adorado acompanhar a Copa do Mundo de Clubes. Foi linda a união dos torcedores sul-americanos que rolou nesse início da competição. Todo esse clima me fez lembrar desse livro onde, com suas crônicas que mais parecem poesias, o escritor uruguaio declara todo seu amor ao futebol, esporte que, pra Galeano, é um retrato de como caminha a humanidade.

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