


Você está procurando um novo lugar pra morar, encontra um apê incrível, mas ainda não sabe se sua proposta vai ser aceita — e se a papelada toda vai dar certo. Ou então, se interessa por um curso que pode transformar sua vida profissional, mas precisa se dedicar bastante pra conseguir uma vaga. E aí, o que fazer: sair contando cada novidade pros amigos (e, quem sabe, postar um spoiler nas redes sociais), ou esperar acontecer antes de compartilhar? Com qual dessas posturas você se identifica?
De boca fechada
Muita gente prefere não contar boas notícias antes que elas se concretizem por uma espécie de instinto de proteção — uma mistura de superstição, espiritualidade e intuição. Aqui no Brasil, isso aparece no medo do “olho gordo”, da inveja e da quebra de sorte. E até quem não se considera místico pode adotar esse cuidado como uma forma de filtrar a “energia” ao redor: quanto menos pessoas souberem, menor a chance de interferência.
Existe também uma angústia muito concreta por trás de segurar a língua: fracassar em público. Já é difícil lidar com a própria decepção quando as coisas não saem como a gente imaginava. Ter que explicar o que aconteceu e encarar as reações dos outros costuma tornar a frustração ainda mais pesada. Ou seja, no fim das contas, evitar compartilhar as novidades antes da hora também tem a ver com o medo de errar e com o perfeccionismo — características enraizadas na condição humana, mas amplificadas pela sociedade em que vivemos.

Olhar externo
Enquanto, pra algumas pessoas, a expectativa externa gera ansiedade, há quem compartilhe seus planos buscando justamente uma camada extra de pressão. Isso porque, pra certos perfis, tornar a intenção pública cria uma sensação de “compromisso” que ajuda a manter o foco e a motivação até a conquista.
Antecipar boas notícias também pode ser uma maneira de atrair apoio e bons conselhos de quem conhece você, mas não está diretamente envolvido na situação. No entanto, vale lembrar que nem todo mundo vai reagir de forma positiva. É possível que você receba ceticismo, dúvidas, críticas e inveja. E essas reações negativas podem desmotivar e gerar insegurança.
Por isso, vale identificar qual é o seu “círculo de confiança” — aquelas pessoas que demonstram torcer por você de forma genuína. Se nem os amigos mais próximos despertam essa segurança, talvez seja o caso de observar se existe ali uma certa competitividade (consciente ou não), ou sentimentos mal resolvidos que dificultam a celebração legítima da felicidade e do sucesso do outro.
Efeito rebote
Segundo o estudo When Intentions Go Public Does Social Reality Widen the Intention-Behavior Gap?, publicado na revista científica Psychological Science, o simples fato de uma intenção se tornar pública já tem potencial pra prejudicar a sua realização. Isso porque dizer aos outros o que você pretende alcançar cria uma sensação prematura de satisfação.
É como se existisse uma distância entre onde você está e o lugar ao qual quer chegar. A necessidade de eliminar essa lacuna empurra à ação. Mas, quando você compartilha sua meta com outras pessoas, esse espaço se fecha de uma forma artificial, pois você tem — pelo menos temporariamente — uma sensação de dever cumprido. Esse pico de dopamina que é gerado no cérebro, seguido por uma queda da substância, pode afetar sua motivação pra perseguir aquele objetivo.
Por isso, antes de sair contando aquela novidade incrível sobre algo que ainda não é certeza, vale se perguntar: isso vai me trazer algum benefício real agora ou estou só buscando um gostinho antecipado da conquista?
Mundo digital
Ao mesmo tempo em que as redes sociais são movidas pela cultura da performance e reforçam a necessidade de exibir as suas conquistas — alô, LinkedIn! —, muita gente tem optado por compartilhar menos, ou então apenas com pessoas mais próximas. Não à toa, perfis secundários, como os ‘dix’ — contas privadas pra publicar conteúdos mais espontâneos, longe dos olhares do público geral — estão tão em alta.
Assim como no mundo físico, não existe um jeito certo ou errado de agir. O mais importante é olhar pra cada situação e entender qual caminho faz mais sentido pra você naquele momento. Só vale tomar cuidado pra não cair na armadilha de achar que todo mundo está julgando ou colocando “olho gordo” — acredite, você não é tão importante assim, e isso é ótimo. Esse tipo de pensamento pode acabar afastando você de dividir — e celebrar! — os bons momentos.
Pra saber mais:
· O TED Guarde suas metas para si mesmo, de Derek Sivers.
· O episódio “Desistir das minhas metas”, do podcast Errando em Público.
· O livro O poder dos quietos: Como os tímidos e introvertidos podem mudar um mundo que não para de falar, de Susan Cain.
· A coluna “Você precisa desaparecer para conseguir existir?”, de Ricardo Moreno na Fast Company Brasil.
Você tem vergonha das suas axilas?
Não é à toa que, historicamente, o ato de levantar os braços tem a ver com reivindicar a liberdade. Fazer isso com confiança, pra muitas mulheres, significa enfrentar inseguranças geradas pelos mesmos padrões de beleza limitantes que afetam a aparência feminina como um todo. Segundo uma pesquisa realizada por Dove com mulheres de sete países, incluindo o Brasil, a insatisfação com essa parte do corpo é mais alta do que com outras mais visíveis, a exemplo dos cabelos ou do rosto. Diante desses dados, e por acreditar que toda mulher deve se sentir livre de inseguranças com as axilas, Dove desenvolveu a nova linha Desodorante Creme Sérum, com três opções pra tratar a pele dessa região: hidratação profunda e reparação diária (tampinha azul), prevenção do escurecimento, com niacinamida (rosinha), ou com fórmula hipoalergênica pra peles sensíveis (verde).

💬 German
🎶 Deusa dos Prazeres Bobos, de Samuel de Saboia
A faixa é uma viagem sonora fruto de uma road trip que o artista recifense fez com amigos pela Itália — e soa exatamente como isso: leve, sensual, cheia de cor e poesia. Eu já era fã das suas obras de artes plásticas, agora tenho vontade de dançar com ele.
💬 Adriana
🎤 O Canto das Nações, Mateus Aleluia, na Casa Natura Musical
Corre que ainda dá tempo de comprar ingressos pra ver esse ícone supremo da música brasileira em São Paulo, nos dias 9 e 10 de maio. O espetáculo reúne grandes sucessos de seus 60 anos de carreira, incluindo a obra de Os Tincoãs e seu trabalho solo.
💬 Dandara
📧 The Nexialist
Escrita pelo pesquisador de tendências Rodrigo Turra, tem ótimas dicas sobre tudo: de música a tecnologia, passando por arte e cultura pop. Sempre acabo de ler com uma cantora nova no repeat e uma discussão interessante pra jogar na roda de amigos.
💬 Ricardo
🎧 Nós, de Tamara Klink, na Rádio Companhia
A Companhia das Letras começou a publicar semanalmente trechos do audiolivro Nós, narrado pela própria autora. É o relato da travessia que Tamara fez sozinha, da França até o Brasil, a bordo do barco Sardinha — e que a tornou a pessoa mais jovem do país a cruzar o Atlântico.
🎶 Papota, de Ca7riel & Paco Amoroso
Em seu novo disco, a dupla argentina mistura trap, funk e rock com muita personalidade. As letras transitam entre ironia, afeto e crítica, embaladas por batidas que fogem do óbvio. Pra marcar o lançamento, fizeram uma performance cheia de deboche no Tonight Show, de Jimmy Fallon.

“Não tenho mais idade pra isso”. É bem provável que você já tenha ouvido essa frase por aí — dita em diferentes contextos, por gente mais nova e mais velha que você. O episódio mais recente do Desenrola gira em torno dessa reflexão: será que ainda é preciso assumir uma postura senhorial pra oficializar a vida adulta? Ou a gente pode apenas existir, do jeito que é? Nosso convidado é o cantor, compositor e saxofonista Maurício Pereira. Ouça agora!
🚨Alerta de spoiler: Na próxima segunda-feira (14/4), a gente reflete sobre a pressão de parecer feliz no trabalho — e sobre o que é necessário mudar, tanto no nível pessoal quanto estrutural, pra que as pessoas possam, realmente, construir uma relação mais saudável com o mundo profissional. Quem nos ajuda nessa conversa é a estudiosa da ciência da felicidade Renata Rivetti, fundadora da Reconnect Happiness At Work e responsável pela implantação do piloto da semana de quatro dias no Brasil, e a empreendedora digital Andrea Janér, fundadora e CEO da Oxygen. Já segue o podcast na sua plataforma de áudio preferida pra não perder nada.
texto: Dandara Fonseca | edição: Adriana Setti | arte: Eduardo Gayotto
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