


Encontrar um novo hobby e se dedicar a ele está entre as suas metas pra este ano? Você não está só. Cada vez mais pessoas vêm buscando incluir na rotina atividades de “lazer sério” — forma como o sociólogo canadense Robert Strebbins define os hobbies —, principalmente pelos benefícios que essas práticas oferecem. Além de ajudar a esvaziar a mente — o que reduz o stress e acalma o corpo —, os hobbies geram uma maior satisfação com a vida, sensação de bem-estar mental e senso de pertencimento na velhice, segundo um estudo realizado em 16 países e publicado em 2023 na revista Nature Medicine.
Aflições contemporâneas
Fazer algo apenas por prazer também pode aliviar algumas das aflições da vida moderna, como o excesso de tempo diante das telas. Atividades manuais ou que movimentam o corpo nos ajudam a aproveitar a vida offline sem aquela sensação constante de estar perdendo algo no mundo digital — não à toa, a Geração Z anda tão interessada nelas. Além disso, um hobby é uma chance de se concentrar em apenas uma tarefa por vez, algo cada dia mais raro.

Segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) divulgados pela BBC Brasil, os afastamentos do trabalho por burnout no país aumentaram 1.000% entre 2014 e 2023. Nesse cenário, o hobby ainda funciona como um respiro necessário e uma forma de impor limites ao trabalho remunerado.
Sem pressão
Sim, hobbies exigem dedicação e tempo. Mas é importante lembrar que eles devem ser fonte de prazer, não mais um motivo de stress ou ansiedade. Tudo bem querer praticar e melhorar, mas, pra realmente aproveitar os benefícios dessas atividades, é essencial deixar de lado a lógica da performance: você não precisa ser melhor que todo mundo.
Descobrir um hobby que você ama também pode despertar a vontade de transformá-lo em profissão ou fonte de renda extra. Nesse momento, vale pesar os prós e contras: trabalhar com algo que você ama pode ser incrível, mas a obrigação costuma diminuir o prazer que essa atividade proporciona. O que faz mais sentido pra você agora?
Mão na massa
Curtiu a ideia de ter um hobby, mas não sabe no que apostar? Aqui, a gente sugere algumas atividades não tão óbvias — e que não pesam no bolso — pra você testar e descobrir a que dá match com você.
Cerâmica Fria
Mais simples do que a quente, a cerâmica fria é feita a partir de uma massa sintética que seca naturalmente e pode ser pintada com tinta acrílica ou PVA. Dá pra criar ímã de geladeira, vaso de planta, porta-objetos, incensário… Só não vale usar pra comida. A graça é modelar e pintar do seu jeito, com ferramentas próprias ou improvisadas.
Bodysurf
Tradução literal de “surf com o corpo”, a modalidade segue o passo a passo do bom e velho jacaré (a onda vem, você se lança e desliza com ela), mas adiciona manobras performáticas impressionantes. Nadadeiras e uma pranchinha de apoio pra uma das mãos podem ser utilizadas, mas o que vale é o contato direto, puro e sem intermediações com o mar.
Pintura
A febre dos livros de colorir está de volta, desta vez impulsionada pela coleção Bobbie Goods, que viralizou no TikTok. As ilustrações retratam bichinhos em cenários fofos e dá pra brincar com tonalidades, luz e sombra, texturas… Mas as opções não param por aí: além dos livros mais tradicionais, há os numerados, que indicam exatamente quais cores usar; os temáticos, inspirados em filmes, séries e universos da cultura pop, entre muitos outros.
Origami
O Tsuru e o Sapo Saltador são só o começo. A arte japonesa de dobrar papel pode ser bem complexa e fascinante. Alguns mestres do origami conseguem criar esculturas hiper-realistas a partir de uma única folha, sem cortes ou cola, apenas dobrando com precisão cirúrgica. O passatempo ainda melhora a concentração, a coordenação motora e até a paciência.
Bordado
Ponto cruz, ponto cheio, livre, knots… A variedade de pontos pra você aprender e aprimorar seus bordados é enorme. E tem mais: também é possível explorar superfícies além dos tradicionais tecidos e bastidores. O bordado na madeira, por exemplo, resulta em peças decorativas incríveis — o Estúdio Floé tem várias opções perfeitas pra iniciantes. E se você já tem uma certa experiência com o bordado e busca de um desafio a mais, que tal tentar bordar em folhas secas? O resultado é surpreendente.
Calistenia
Usar o próprio corpo como peso pra executar movimentos que melhoram a força, a flexibilidade e a coordenação. É bem possível que alguns exercícios calistênicos façam parte da sua rotina, como a flexão e o agachamento. Mas já imaginou conseguir ficar pendurado em um poste que nem uma bandeira humana? Pra fazer com segurança, procure um profissional de educação física.

Lettering
Se você gosta de desenhar — ou rabiscar — que tal explorar as letras? Diferente da caligrafia, o lettering permite brincar com contrastes, sombras, texturas e até elementos ilustrativos. Em cartazes, cadernos ou murais, a técnica transforma a escrita em expressão visual.
Percussão
Que tal aproveitar a saudade do Carnaval pra colocar esse hobby em prática? Tocar um instrumento de percussão é uma experiência única, que conecta o corpo à música. Com o tempo, bater, agitar ou tamborilar se torna quase uma extensão do próprio movimento — você vai se pegar marcando o ritmo no ar, pode confiar!
Scrapbook
Mistura de álbum e diário, o scrapbook é um espaço pra preservar memórias — como fotos, bilhetes, cartas, recortes e outros objetos significativos — e ao mesmo tempo estimular a criatividade. A ideia é usar diferentes materiais, como adesivos, fitas, carimbos, folhas secas e imagens, pra criar colagens e páginas que passem a essência de momentos importantes ou fases da vida. Uma ótima forma de experimentar diferentes técnicas visuais.
Trilha científica
Se você ama estar em meio à natureza e ainda curte aprender coisas novas, esse hobby é perfeito pra você. A ideia aqui é, antes de se aventurar em trilhas que passam por paisagens incríveis, estudar sobre a flora e a fauna do local. Assim, é possível identificar espécies de árvores, animais e até cogumelos pelo caminho.
Pra saber mais:
· O episódio “Hobby é quando adulto quer brincar”, do podcast Fiz o que pude.
· O livro Viver é melhor sem ter que ser o melhor (2023), de Daniel Martins de Barros.
· A matéria “Why Gen Z are turning into old codgers”, do The Atlantic.
· O perfil da criadora de conteúdo Débora Jardim, que toda semana experimenta um hobby novo.
Como o esporte une as gerações
Na escola, na universidade e até no trabalho passamos a maior parte do tempo com colegas da nossa faixa etária. E, com isso, perdemos oportunidades incríveis de trocar ideias com outras gerações e expandir nossos horizontes. Com a Netshoes, que há 25 anos conecta a Geração N — onde X, Y, Z e Alfa se encontram — ao mundo dos esportes, a gente reforça que a prática de exercícios físicos é um hobby que aproxima pessoas de todas as idades de forma natural e divertida, criando comunidades em torno de um interesse comum e funcionando como um antídoto contra a solidão em um mundo cada vez mais solitário.

💬 German
🎧 ReThinking
No podcast, o psicólogo Adam Grant traz conversas instigantes sobre ciência, comportamento e inovação. No episódio mais recente, ele explora o que os animais em hibernação podem nos ensinar sobre o sono.
🎵 Enseada perdida, de Thiago Amud
Um disco pra mergulhar sem pressa: é daquelas obras raras que puxam você pra dentro com poesia sofisticada e arranjos lindos. E ainda tem Caetano Veloso e Chico Buarque.
💬 Adriana
📜 Esquire Brasil, nas bancas
Fico feliz pela chegada da Esquire impressa no Brasil. Fundada em 1933 e presente em 19 países, a revista icônica traz Humberto Campana na capa.
💬Dandara
🎵 In the Blue Light, de Kelela
O novo álbum da cantora norte-americana foi gravado no lendário clube The Blue Note, em NY. Misturando soul, dance, jazz e R&B, tem uma sonoridade única e deliciosa.
💬 Ricardo
🎵 Arte Concert
Plataforma do canal europeu ARTE, reúne shows, óperas e performances de diversos estilos. Tudo grátis!
📺 Adolescência, na Netflix
Na série que todo mundo está falando essa semana, um garoto de 13 anos é preso pelo assassinato de uma colega. Filmada em plano-sequência, investiga a crise da masculinidade na era digital.
💬 Manu
☕️ São Luís 84, no Centro de São Paulo
É café, é bar, aceita bichinhos (são aumigos!), o ambiente é superagradável e ainda recebe feiras e DJs. Fica em frente à Galeria Metrópole, no buchicho do Centro.

Andar rápido na rua sem motivo, ouvir todos os áudios na velocidade 2x, sentir angústia ao ter que passar poucos minutos em uma fila. A cada dia que passa, parece ser mais difícil dar conta de tudo sem correr. No primeiro episódio da terceira temporada do Desenrola, a gente reflete sobre o assunto e pensa em formas coletivas de desacelerar, com a ajuda da jornalista e pesquisadora Michelle Prazeres. Ouça agora!
🚨Alerta de spoiler: Na próxima segunda-feira (24/3), o nosso papo é sobre bagunça. Por que cada um de nós tem uma relação diferente com a organização? Será que toda pessoa bagunceira tem que se esforçar pra ser extremamente organizada? Nossa convidada é a Carol Ferraz, pesquisadora dos significados da bagunça e da organização nas casas brasileiras na Universidade de São Paulo. Já segue o Desenrola pra não perder nada!
texto: Dandara Fonseca | edição: Adriana Setti | arte: Eduardo Gayotto
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