É esperado — e, inclusive, saudável — procurar um par que seja também um amigo ou amiga. Afinal, dividir a vida e a rotina significa passar bastante tempo com alguém, o que vai muito além da química e do amor romântico. Um estudo publicado no Journal of Social and Personal Relationships aponta que casais que cultivam uma amizade sólida tendem a ter relacionamentos mais duradouros, além de níveis mais altos de comprometimento, companheirismo e até satisfação sexual. Mas fica a dúvida: é ilusório esperar que a pessoa com a qual você se relaciona seja, também, melhor amigo ou amiga? Ou seria esse o maior sinal de intimidade?

Linha do tempo

Durante grande parte da história, os casamentos pouco se baseavam na amizade ou na afinidade pessoal. Eram arranjados por motivos econômicos, políticos ou de status, e muitas vezes giravam em torno de deveres e obrigações sociais. Além disso, os papéis de gênero rigidamente definidos também dificultavam a proximidade entre os parceiros.

Em meados do século 19, o romantismo reforçou a ideia do amor e da paixão como base pro casamento, embora ainda houvesse uma forte pressão social pra que continuasse servindo a propósitos econômicos e familiares. Foi apenas no século 20, com o avanço dos direitos das mulheres, a urbanização e o declínio dos casamentos arranjados, que as principais funções das relações românticas passaram a ser companhia e afeto.

Hoje, pra muita gente, a amizade é um pilar essencial dos relacionamentos amorosos. Aliás, segundo uma pesquisa de 2021 publicada no jornal científico Social Psychological and Personality Science, mesmo na era dos aplicativos de namoro, dois terços dos romances começam a partir de uma amizade.

Por um lado...

Soa bastante atraente a ideia de que a mesma pessoa com quem você divide a cama seja a sua melhor amiga ou amigo. E, de fato, essa dinâmica pode proporcionar benefícios. Um dos principais é a comunicação aberta e honesta, com liberdade de falar sobre qualquer assunto sem medo de julgamento. Quando a relação é sustentada por uma amizade, os conflitos desnecessários tendem a diminuir, enquanto o companheirismo e a diversão ganham força, especialmente porque os dois compartilham interesses em comum.

Outro grande benefício é o apoio incondicional. Nos momentos difíceis, estar ao lado de alguém que também é o seu principal ombro amigo costuma garantir um suporte emocional genuíno, promovendo segurança e bem-estar. É o tipo de relação que tem mais chances de se manter sólida — ou até se fortalecer — diante de desafios como uma doença, um período de desemprego ou outros perrengues da vida adulta.

Por outro...

Depositar múltiplas funções e responsabilidades emocionais em uma única relação pode sobrecarregá-la. Afinal, ninguém consegue atender tantas expectativas ou suprir todas as necessidades do outro de uma só vez. O resultado? Um relacionamento desgastado, repleto de brigas e frustrações.

Também é preciso tomar cuidado pra não negligenciar outras amizades e fazer da pessoa com a qual você se relaciona sua única amiga próxima. Além de ficar sem rede de apoio caso o relacionamento termine, esse isolamento pode levar à dependência emocional. Também é importante ter pessoas com as quais você possa desabafar sobre a relação e sobre o seu parceiro ou parceira — até pra ajudar a entender o que é saudável e o que precisa ser ajustado.

E tem mais: quando tudo gira em torno da relação, corre-se o risco de perder a própria identidade. A vida se torna previsível, monótona e sem espaço pra individualidade. O casal pode cair no “tédio a dois”, deixando de lado aspectos fundamentais da vida, como trabalho, hobbies, amizades e crescimento pessoal. Relacionamentos saudáveis pedem equilíbrio — e isso significa cultivar uma vida rica fora da bolha do casal.

Os ovos na mesma cesta

Vivemos uma contradição. Essa expectativa de que o relacionamento amoroso preencha múltiplas necessidades de afeto surge em um cenário no qual encontrar “a pessoa” entre tantos apps parece cada vez mais complicado. De acordo com uma pesquisa recente do Bumble, 3 em cada 4 pessoas já se sentiram exaustas ao tentar encontrar alguém nos apps de namoro — a tendência tem até nome: dating burnout.

E não é só começar algo mais sério que anda difícil: em uma sociedade cada vez mais individualista, manter compromissos também é um desafio. Por que, então, apostar todas as fichas em algo tão escasso e fugaz?

Ampliando o olhar

Autora do livro The Other Significant Others, a jornalista norte-americana Rhaina Cohen argumenta que minamos os relacionamentos românticos porque esperamos muito deles, enquanto diminuímos as amizades ao esperarmos pouco delas. Por isso, mesmo que você veja seu par como um grande amigo ou amiga, é essencial dedicar uma parte do seu tempo e energia a outras amizades importantes.

Exercitar a própria individualidade também é fundamental. Isso pode significar tanto ir a lugares que só você curte, como passar um tempo de solitude em casa. Também rola aproveitar a própria companhia estando ao lado da pessoa com a qual você se relaciona. Enquanto um lê um livro, o outro pode assistir um filme; enquanto um escuta um podcast, o outro pode desenhar ou praticar seu hobby favorito, e assim por diante.

Pra saber mais:

· O podcast Modern Love, do The New York Times, que toda semana traz histórias e conversas sobre o amor nos tempos modernos.
· O post “E se você não for a BFF da sua BFF?”, em parceria com a MargeM Newsletter.
· O TED O segredo do desejo em um relacionamento duradouro, da terapeuta Esther Perel.
· A matéria “How to cope when your best friend falls in love and pulls away from you”, da Mashable.

E se você correr mais leve?

O esporte tem mais a ver com bem-estar do que com performance. Por isso, em vez de focar no desempenho, cada vez mais gente vem priorizando correr por prazer e pra fazer parte de uma comunidade, deixando de lado a competição e a autocobrança. E se você também aderir a esse movimento? Correr leve é priorizar a conexão com você e o ambiente ao seu redor. É sentir o seu ritmo natural e transformar o exercício físico em algo prazeroso — um respiro no seu dia. Com a On, marca que enxerga a corrida como uma forma de sentir o corpo, sem pressa e sem pressão, você pode ir no seu pace com o novo Cloudsurfer 2, que tem CloudTec Phase® pra transições suaves e superespuma Helion™ pra conforto sem esforço.

💬 Ricardo
📚 Care and Feeding: A Memoir, de Laurie Woolever
Assistente dos chefs superstars Anthony Bourdain (1956-2018) e Mario Batali por quase 20 anos, Laurie revela os bastidores da fama e da indústria gastronômica. Uma leitura intensa sobre poder, excessos e sobrevivência.

🎧 Gal Costa (Compacto de 1972)
No auge da turnê Fa-Tal, Gal entrou em estúdio pra gravar um EP que nunca foi lançado — até agora. O Compacto de 1972 resgata três gravações que ficaram engavetadas por mais de 50 anos e traduzem o espírito inquieto e o furor de Gal nos anos de chumbo.

💬 Manu
📰 A verdade sobre o cenário de Ruptura, do The New York Times
A Lumon existe, acredita? Fica em New Jersey e até virou ponto turístico. Na reportagem, passeie pela arquitetura e história do prédio — tão inovadores e opressivos quanto na ficção.

💬 Dandara
📺 Harlem, na Prime Video
A série acompanha a vida — e, principalmente, os relacionamentos — de quatro amigas negras que vivem no Harlem, em Nova York. A terceira e última temporada saiu em janeiro, e explora de um jeito divertido e inteligente a questão racial.

💬 Adriana
🎥 Larissa: o outro lado de Anitta, na Netflix
O terceiro documentário sobre a vida da cantora leva a várias reflexões bem mais profundas do que poderia imaginar. Também tem um estilo de narrativa (goste você ou não) que é bem surpreendente.

📺 Da Manga Rosa, no Globoplay
Na segunda temporada da série documental, a atriz Dadá Coelho viaja pelo Norte e Nordeste do Brasil apresentando personagens, sabores e conversando com mulheres incríveis sobre os prazeres vividos tanto na mesa quanto na cama.

💬 German
🏙️ DW! Semana de Design
A Semana de Design de São Paulo já começou e segue até o dia 16 de março. Com programações em diversos cantos da cidade, vale começar pela Galeria Metrópole, no Centro.

Semana que vem estreia a terceira temporada do Desenrola, nosso podcast! No primeiro episódio, convidamos a jornalista e pesquisadora Michelle Prazeres, idealizadora dos projetos Desacelera SP, Instituto Desacelera e Dia Sem Pressa, pra refletir sobre uma das principais ciladas do mundo contemporâneo: a aceleração da vida. Você também sente que nunca tem tempo o suficiente pra fazer tudo o que deseja, e por isso está sempre correndo? Quer parar, mas, quando consegue uns minutinhos de descanso, sente culpa e necessidade de continuar produzindo? Então já segue o podcast pra não perder o episódio!

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