

Atualizar currículo, montar perfis em plataformas de emprego, personalizar cartas de apresentação, preencher formulários, ir à entrevistas, fazer testes e mais testes… Procurar um novo trabalho não é um processo fácil. Além de consumir várias horas por dia, com o passar do tempo, essa busca pode afetar tanto o ânimo quanto a autoestima. “Será que não tenho qualificação suficiente?”; “Devo procurar algo fora da minha área?” são alguns dos questionamentos que podem surgir.
Uma pesquisa da Catho realizada no ano passado afirma que 70% dos candidatos acham o processo de buscar trabalho muito solitário e gostariam de receber apoio. Ainda segundo o levantamento, 40% sente ansiedade, 20% tem a sensação de estar perdido e 18% sente exaustão durante as buscas. Aqui, a gente reúne dicas — e desabafos — pra quem está passando por esse processo.
Valor = Trabalho
De Marx a Byung-Chul Han, diversos teóricos já destacaram como, no capitalismo, o valor social das pessoas está diretamente atrelado ao trabalho que elas realizam — dinâmica que se intensificou com o avanço do neoliberalismo. Não por acaso, uma das primeiras perguntas feitas ao conhecer alguém é: “o que você faz da vida?”, nas entrelinhas, “com o que você trabalha?”.
Nesse contexto, além da preocupação com a grana, estar sem emprego pode provocar sentimentos como constrangimento e inferioridade. Quem enxerga o trabalho como o grande propósito da vida, ou a principal forma de realização pessoal e social, ainda pode enfrentar questionamentos sobre a sua própria identidade ao se ver nessa situação.
A questão é que, em grande parte dos casos, o desemprego está mais relacionado à estrutura do mercado de trabalho do que ao mérito pessoal. Em novembro do ano passado, a taxa de desemprego no Brasil chegou a 6,1%, o menor índice desde 2012, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Ainda assim, são várias as áreas nas quais a quantidade de profissionais é maior do que o número de vagas disponíveis.
Você conhece alguém?
Se você já conseguiu um emprego por indicação, sabe o quanto é valioso construir uma rede de contatos sólida no mercado de trabalho — o famoso networking. Isso envolve cultivar boas relações com colegas da faculdade e do trabalho, compartilhar seus projetos nas redes sociais e marcar presença em eventos da área.
No entanto, é importante reconhecer que, apesar de eficiente, essa prática pode ser excludente pra quem não tem acesso a esses círculos. Isso inclui pessoas fora dos grandes centros urbanos ou que não tiveram a oportunidade de estudar em instituições renomadas. Além disso, certos grupos enfrentam barreiras ainda maiores pra se inserir no mercado, como pessoas negras, pessoas com deficiência, mulheres grávidas ou com filhos pequenos e profissionais acima dos 50 anos.

O peso psicológico
Ficar sem emprego acaba afetando uma das qualidades que você mais precisa pra conseguir um: a autoconfiança. Rejeições, principalmente após entrevistas e processos seletivos nos quais você sente que mandou bem, costumam gerar dúvidas sobre o próprio potencial. Pra quem está trabalhando, mas quer outro emprego, a pressão e o impacto sobre a autoestima podem até ser mais suaves. No entanto, as cargas horárias se somam, o que também é um fator de stress.
Segundo um dos estudos mais relevantes sobre o tema, Desempleo y bienestar psicológico, de 1992, o desemprego ainda pode intensificar sentimentos de insatisfação com a vida, esgotamento social e, em alguns casos, levar a quadros de ansiedade e depressão. Pesquisas recentes, inclusive realizadas aqui no Brasil, reforçam essa relação.
Mas como minimizar esses efeitos? Uma opção é equilibrar horários pra buscar trabalho e momentos de lazer e autocuidado. Compartilhar experiências com amigos e familiares que já passaram pela mesma situação também pode trazer um grande alívio, assim como celebrar as pequenas conquistas do processo.
Se a busca estiver demorando mais do que o esperado ou afetando o seu bem-estar, vale ir atrás de orientação psicológica. Um coaching de carreira também pode ser útil nos momentos difíceis. Por fim, se você tiver essa possibilidade, invista tempo em cursos, hobbies ou trabalho voluntário. Essas atividades são boas pra ampliar a rede de contatos e manter a mente ativa.
Foi pro spam
Cada vez mais, os sistemas de recrutamento usam inteligência artificial pra filtrar currículos. Por isso, é importante entender como esses algoritmos funcionam. Comece lendo a descrição da vaga com atenção e identifique as palavras-chave relacionadas às habilidades, qualificações e experiências exigidas. Se der match com o seu perfil, adicione esses termos no seu currículo de forma natural. Essa simples estratégia pode ser a diferença entre se fazer notar ou ficar invisível.
Outro ponto importante é o formato. Muitos sistemas têm dificuldade pra interpretar currículos com designs elaborados, gráficos ou tabelas. O melhor caminho é optar por um layout limpo e linear. Algumas ferramentas também podem analisar como seu currículo será interpretado pelas plataformas de currículos, como o Jobscan e o Resumeworded.

Pra saber mais:
· O estudo Bem-estar de pessoas desempregadas: relações com valor do trabalho e tempo de desemprego, de Ariana Fidelis, da Pontifícia Universidade Católica de Goiás.
· Nosso post explicando por que é tão difícil pedir demissão.
· A comunidade Indique Uma Preta, que busca desenvolver e capacitar pessoas pretas.
· O vídeo A influência do neoliberalismo no desemprego e bem estar social, de Belinda Mandelbaum, pra Casa do Saber.
O boom do turismo de endorfina
Encontrar um novo cenário pra praticar um hobby, se exercitar ou embarcar em desafios esportivos: esse é o turismo de endorfina, um jeito de viajar relacionado ao bem-estar e ao autoconhecimento que tem feito a cabeça de cada vez mais gente. A ideia é correr, fazer trilha, velejar, pedalar — e, muitas vezes, se conectar com outras pessoas na mesma vibe. Em um mundo que discute cada vez mais o overtourism, essa tendência surge como uma resposta pra quem prefere viver experiências mais holísticas e adaptadas aos seus interesses individuais. Quer embarcar nessa? A Netshoes tem tudo o que você precisa pra fazer trekking, correr ou praticar seu esporte favorito, com descontos incríveis.

Ter um teto pra chamar de seu costumava ser um dos eventos mais simbólicos da entrada na vida adulta. Mas os tempos mudaram, e a independência ganhou novos significados. No último episódio da segunda temporada do Desenrola, a gente investiga os motivos — pra além da questão financeira — que levam cada vez mais pessoas a ficarem na casa dos pais, e reflete sobre as possíveis perdas e ganhos dessa tendência. Com a ajuda do diretor de estratégia do estúdio criativo AKQA Casa e estudioso do assunto Cauê Martins, além de vários relatos das ruas. Ouça agora!
Voltamos daqui algumas semanas, então já segue o podcast na sua plataforma de áudio preferida pra não perder!
texto: Dandara Fonseca | edição: Adriana Setti | arte: Eduardo Gayotto
☀️
Nós somos o The Summer Hunter, uma plataforma de conteúdo que acredita que o verão é mais do que uma estação do ano; é um estado de espírito. Nos siga no Instagram, onde publicamos conteúdo inédito diariamente, sempre às 7h30 da manhã. Ouça também nosso podcast, o Desenrola, e coloque um pouco de música na sua rotina com as nossas playlists em parceria com a Tecla Music. Também explore a nossa linha de acessórios desenvolvida em collab com a Allcatrazes. E pra se manter atualizado sobre as novidades do TSH e ter acesso a conteúdos e benefícios exclusivos, faça parte de nossa comunidade no WhatsApp!
Newsletter #143