

Tem coisa mais gostosa do que cultivar uma relação próxima com os avós? Eles podem assumir diversos papéis nas nossas vidas e, cada vez mais, passam beeeem longe do estereótipo da cadeira de balanço. Por mais diversos que sejam, no entanto, acabam tendo algo em comum: ocupar o lugarzinho mais quente do nosso coração.
Na infância e na adolescência, os avós costumam ser presença constante. Mas, com a correria e os compromissos da vida adulta, fica cada vez mais complexo dedicar tempo de qualidade a essas pessoas tão queridas — especialmente quando moram em outras cidades. Aqui, a gente reforça: se você possui o privilégio de ainda ter os seus avós por perto, aproveite muito!
É comprovado
Mudanças sociais têm transformado as relações familiares, e muitos avós vêm ganhando ainda mais espaço no dia a dia dos netos. O aumento da expectativa de vida, a maior presença de famílias monoparentais, a redução do número de filhos e os altos custos de ter uma babá são alguns dos fatores que aproximam essas gerações.
De acordo com o estudo The Role of Grandparents in the Lives of Youth, publicado em 2012 no Journal of Family Issues, avós presentes podem fornecer uma maior suporte emocional, social e até econômico aos seus netos, além de uma visão mais ampla da infância. Outra pesquisa, veiculada em 2009 no European Journal of Aging, revelou que famílias com fortes laços intergeracionais tendem a ser mais resilientes, com maior apoio emocional e funcional.
No episódio “A importância dos avós”, do podcast Mentemania, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa compartilhou sua visão de que o papel dos avós não é educar, mas sim ser uma fonte de cuidado, segurança e amor. A médica acredita que, por estarem mais perto do fim do ciclo da vida, eles tendem, quase que intuitivamente, a transmitir o melhor de si.

Nossa raiz
Os avós guardam as histórias que não estão nos livros, mas que explicam quem somos. Eles sabem como eram seus bisavós e tataravós, ao mesmo tempo que lembram de detalhes importantes da sua infância — coisas que, às vezes, até seus pais podem ter esquecido. Escutar essas memórias é uma oportunidade única de você se conhecer melhor.
Tente gravar algumas conversas com seus avós, especialmente aquelas que falam de coisas do passado que só eles sabem. Outra forma legal de preservar essas lembranças é presenteando-os com um livro pra que eles respondam perguntas sobre suas vidas, desde a infância até a velhice. Essa prática também pode estimular a parte cognitiva do cérebro, ajudando na prevenção de demências e outras doenças neurológicas. Esse material vai ser precioso lá pra frente, além de uma forma dos seus possíveis descendentes saberem como eles eram.

Outros saberes
Nascidos décadas antes do celular, da air fryer e dos apps de delivery, os avós muitas vezes têm superpoderes que podem transmitir aos netos: preparar comida de verdade, remendar uma roupa, consertar uma porta, dar um jeito em uma tomada e outras coisas que o ChatGPT não sabe resolver.
Recentemente, falamos aqui sobre como os jovens estão vendo atividades manuais que antes eram associadas a figuras mais velhas — como crochê, costura, marcenaria e jardinagem — como uma forma de desconectar e desacelerar. Que tal unir o útil ao agradável e pedir pra sua avó ou seu avô ensinarem um novo hobby pra você? Assim, além de passar tempo de qualidade com eles, você ainda pode descobrir uma nova paixão.
Diferentes olhares
Ter uma relação próxima com os seus avós não só torna a vida mais solar (pra todas as partes), como também amplia os horizontes e as perspectivas de ambos os lados. Pra além do afeto, da diversão e da companhia, esse tipo de relação intergeracional permite trocar experiências de vida e desenvolver a empatia.
Seus avós já passaram por muitos dos perrengues que estão tirando o seu sono agora. Que tal pedir uns conselhos? A convivência com pessoas mais velhas também ajuda crianças e adolescentes a desenvolverem uma visão mais positiva sobre o envelhecimento, além de evitar atitudes preconceituosas, como tratar os idosos de forma infantil ou tentar ditar o que eles devem ou não usar e fazer.
Já você pode ajudá-los com a tecnologia, apresentar novas formas de enxergar o mundo e, o mais importante, ser uma boa companhia. À medida que envelhecemos, é natural que nossa rede social diminua. E em uma sociedade que estimula pouco as relações intergeracionais, a solidão torna-se uma realidade pra muitos idosos. Ter a família por perto pode ser uma forma de suavizar esse sentimento, que, a longo prazo, pode levar a quadros depressivos.
Bora se ver?
Existem algumas estratégias pra não falhar na meta de ver ou conversar com os avós com mais frequência. E uma delas é criar um horário fixo pra isso. Por exemplo: fazer uma chamada de vídeo toda quinta à noite ou almoçar na casa deles a cada quinze dias.
Se vocês moram perto, que tal incluí-los na sua rotina? Dá pra dar uma passadinha na casa deles depois do trabalho e fazer alguma atividade manual juntos. Rola até convidar seu avô ou sua avó pra ir à academia com você. Além de criar lembranças incríveis, você ainda os ajuda a cuidar da saúde. Acredite: esses momentos vão ficar com você por muito tempo.
Pra saber mais:
· O filme Como ganhar milhões antes que a avó morra (2024), do diretor taliandês Pat Boonnitipat, em cartaz nos cinemas.
· Os livros Serei sempre o teu abrigo (2021), de Valter Hugo Mãe; e Bento Vento Tempo (2024), de Stênio Gardel.
· Nosso post sobre a importância de cultivar amizades intergeracionais.
· O episódio Cuidar dos pais, do podcast É nóia minha?.
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texto: Dandara Fonseca | edição: Adriana Setti | arte: Eduardo Gayotto
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