

Não é só a bateria social que escorre pelo ralo no final e início do ano. Se não prestarmos atenção, o dinheiro também pode seguir o mesmo caminho nesse período — e isso vale até pra quem é CLT e recebe o tão aguardado 13º salário. Presentes de Natal, festa de Réveillon, encontros com amigos, confraternizações de trabalho, formatura de parentes, viagens... Tudo isso pesa no bolso. E, se você tem filhos, a lista só aumenta: rematrícula, material escolar e uma infinidade de gastos extras.
Cuidar bem das finanças não é uma tarefa divertida e, muitas vezes, exige decisões difíceis. Mas é algo essencial pra transformar sonhos em realidade, tirar projetos do papel e explorar o mundo. Por isso, aqui, a gente faz algumas reflexões sobre o assunto.
Não é só no fim de ano
Segundo dados do Serasa, em setembro deste ano, 72 milhões de brasileiros estavam endividados, o que equivale a mais de um terço da população. Essa situação reflete, em grande parte, a desigualdade entre a renda de muitas famílias e o alto custo de vida. No entanto, outros fatores relevantes também contribuem pra esse cenário, e um deles é a falta de educação financeira.
Hoje, basta uma rápida busca on-line pra encontrar inúmeros conteúdos acessíveis sobre planejamento financeiro, investimentos, organização de gastos. O problema é que muitas pessoas que precisam desses conhecimentos acabam fugindo do assunto. Um amplo estudo do Itaú Unibanco em parceria com o Datafolha, realizado em 2020, revelou que 49% dos brasileiros evitam até mesmo pensar em dinheiro pra não se sentirem tristes.
Se você acha que educação financeira é algo chato ou complicado, tente encará-la como mais uma obrigação essencial da vida adulta — tipo pagar boletos ou escovar os dentes. Além disso, na sociedade em que vivemos, cuidar bem da sua grana é a chave pra viver do seu jeito, com mais liberdade e segurança.

Quebrando o silêncio
Pesquisas indicam que, nos últimos anos, os brasileiros estão mais abertos a falar sobre dinheiro com amigos, familiares e parceiros românticos. Ainda assim, o tabu em torno do assunto persiste. Um exemplo clássico: quantas vezes você já topou um programa que não cabia no seu orçamento só porque não se sentiu confortável pra dizer que não queria gastar aquele dinheiro?
Na contramão do quiet luxury, (ou “luxo silencioso”), que implica queimar fortunas discretamente, o loud budgeting (“economizar em voz alta”, em tradução literal) viralizou nas redes sociais recentemente como uma tendência que prega a normalização de dizer, sem constrangimento: “não quero gastar essa grana agora”.
A ideia começou como uma piada, quando o comediante e escritor norte-americano Lukas Battle comentou, em um vídeo no TikTok, que em 2024 não pretendia mais gastar fortunas pra ouvir amigos falando da ex por horas seguidas. A brincadeira viralizou, e muita gente abraçou a ideia com seriedade. Afinal, economizar não precisa ser segredo — nem motivo de vergonha.
Do início
Saber quanto custa o seu sustento é fundamental pra organizar melhor a sua grana. Nesta matéria, você encontra 15 modelos de planilhas de controles de gastos, que podem ajudar a entender exatamente qual é essa quantia. Se preferir, também rola anotar em um caderno ou usar um aplicativo específico pra essa função. Com uma visão mais clara do que entra e sai da sua conta, fica mais viável economizar um pouco todo mês e, se for o caso, começar a quitar dívidas.
Outra prioridade é construir uma reserva de emergência, mesmo que aos poucos. Imprevistos acontecem, e não ter dinheiro separado pra lidar com eles pode causar grandes perrengues financeiros. A meta ideal é ter reservas suficientes pra se manter por pelo menos seis meses sem trabalhar. Além de oferecer segurança e tranquilidade, esse valor vai permitir que você gaste com os seus sonhos sem se preocupar.
Juntando os trocados
Quer economizar, mas não sabe por onde começar? Uma boa dica é, antes de gastar por impulso com algo supérfluo, tentar visualizar o que esse dinheiro pode proporcionar mais adiante: uma viagem incrível, a tranquilidade numa emergência, um apê bacana, a escola do seu filho, plano de saúde… Estabelecer metas como essas ajuda a manter o foco e a resistir à tentação de comprar aquele cafézinho a mais ou a peça de roupa da trend do momento.
Também vale analisar com calma os gastos fixos que vão se acumulando. Será que dá pra trocar o plano de celular por um mais em conta? Migrar pra um banco que não cobra tarifa? Rever os streamings que você contrata? Uma pesquisa da consultoria West Monroe, nos EUA, mostrou que 84% dos participantes acreditavam gastar menos com streaming do que realmente estavam pagando — pra maioria, a discrepância era de mais de 25%!

Pensando no futuro
Sabe aquela ideia de que investimento é só pra gente rica? Pode esquecer. A inflação corrói o valor das economias que ficam paradas na conta. Buscar investimentos, mesmo que conservadores, ajuda o dinheiro a crescer e a manter o poder de compra. O primeiro passo é definir quanto vai guardar por mês — nem que seja R$ 10! —, entender cada produto e escolher o que combina com o seu perfil. É mais simples do que parece, e até os apps dos próprios bancos contam com informações didáticas. Basta ter paciência pra estudar e aprender.
Com a expectativa de vida aumentando significativamente, a redução da natalidade e as pressões sobre a previdência, é importante que parte do que você economiza hoje seja destinada a uma reserva financeira pra velhice. Sem um planejamento adequado, você corre o risco de ficar endividado, depender de terceiros e perder sua liberdade.
Se planejar financeiramente dá trabalho. Mas, assim como você reserva tempo pra cuidar da sua pele, se exercitar ou fazer terapia, vale a pena investir umas horinhas pra cuidar da sua grana também.
Saiba mais:
· O perfil do Instagram do Graninhas.
· O podcast Boletos Pagos, com Nath Finanças.
· A matéria How to break bad money habits and achieve your goals, from a financial psychologist: First, understand how brains are wired, da CNBC.
· O guia Orçamento Infalível, desenvolvido por Amanda Dias, do Grana Preta.

Você já viajou solo? Tem vontade de viver essa experiência? No episódio mais recente do Desenrola, nosso podcast, viajantes experientes nos ajudam a desvendar as maravilhas e os desafios de viajar na sua própria companhia — e dão um empurrãozinho pra que você tome coragem de fazer as malas já. Ouça agora!
🚨Alerta de Spoiler: Na próxima segunda-feira (02/10), a gente reflete sobre como não pirar em Dezembro, mês que costuma vir acompanhado de inúmeros compromissos. Tem como chegar ao último dia do ano sem ter esgotado toda a bateria, inclusive a social? As metas e a pressão por fechar o ano com chave de ouro mais ajudam ou atrapalham? Já segue o Desenrola na sua plataforma de áudio preferida pra não perder nenhuma novidade!
texto: Dandara Fonseca | edição: Adriana Setti | arte: Eduardo Gayotto
☀️
Nós somos o The Summer Hunter, uma plataforma de conteúdo que acredita que o verão é mais do que uma estação do ano; é um estado de espírito. Nos siga no Instagram, onde publicamos conteúdo inédito diariamente, sempre às 7h30 da manhã. Ouça também nosso podcast, o Desenrola, e coloque um pouco de música na sua rotina com as nossas playlists em parceria com a Tecla Music. Também explore a nossa linha de acessórios desenvolvida em collab com a Allcatrazes. E pra se manter atualizado sobre as novidades do TSH e ter acesso a conteúdos e benefícios exclusivos, faça parte de nossa comunidade no WhatsApp!