Não é só impressão: estamos vendo mais pets por aí. Segundo dados do IBGE, em 2013, o Brasil tinha 132 milhões de animais de estimação. Uma década depois, esse número saltou pra 160 milhões. São 62,2 milhões de cães, 30,8 milhões de gatos e 42,8 milhões de pássaros ornamentais, de acordo com uma pesquisa da Abinpet e do Instituto Pet Brasil. E a febre é global: nos Estados Unidos, a quantidade de pets aumentou 56% desde 1988; na Europa, foram 20 milhões a mais na última década.

Mas não é apenas a quantidade que chama atenção. Nos últimos anos, os animais de estimação vêm ocupando um espaço cada vez maior na vida de seus tutores, recebendo cuidados, investimentos e mimos antes reservados aos humanos — como carrinhos pra locomoção, festas de aniversário e terapias holísticas. Por que esse vínculo se intensificou tanto? Quais são os benefícios e os desafios desse relacionamento tão próximo?

Me dê motivos

Algumas mudanças sociais têm um papel fundamental na proximidade dos tutores com os pets, e uma delas é o aumento da proporção de casais sem filhos, que passou de 16,1% em 2010 pra 20,2% em 2022, segundo o IBGE. Nessa configuração familiar, grande parte do cuidado e da atenção se voltam ao bicho de estimação. Não à toa, são vários os vídeos que brincam com os privilégios de ser o pet de um casal jovem e sem crianças.

Na pesquisa Radar Pet de 2019, 24% dos donos de cães os consideravam filhos; na edição de 2021, esse número chegou a 32%. Para os gatos, o percentual ficou o mesmo nestes dois anos: 27%. Eu mesma, Dandara, não considero minha cachorra — uma vira-lata pretinha de quatro anos — minha filha. Mas, em vários momentos do dia, me pego usando essa palavra. Acho que isso acontece por falta de um termo que expresse o carinho e a importância que ela tem na minha vida.

A pandemia também deu força a essa tendência. Com o isolamento, mais gente enxergou nos pets uma forma de ter companhia e amor — e quem já tinha um passou a valorizar ainda mais a sua presença. Após esse período, porém, o sentimento de solidão seguiu como um problema crescente, tanto que hoje é considerado uma questão de saúde pública. O número crescente de filhos únicos, a dificuldade de estabelecer relacionamentos afetivos e o envelhecimento da população são alguns dos motivos por trás desse cenário.

É tudo de bom

Cada vez mais pesquisas reforçam os benefícios dos pets na nossa saúde física e mental. Um estudo da Universidade de Missouri, nos Estados Unidos, por exemplo, indica que a interação com animais de estimação pode aumentar a produção de serotonina e dopamina, ao mesmo tempo que reduz os níveis de cortisol.

A presença dos pets também ajuda a melhorar a saúde cardiovascular, regulando a pressão arterial e diminuindo o risco de doenças cardíacas. Já uma pesquisa publicada em 2018 na revista PLOS One sugere que a exposição a alérgenos leves presentes em animais, especialmente na infância, fortalece o sistema imunológico, reduzindo o risco de desenvolver alergias.

Os benefícios físicos não param por aí: donos de cães, por exemplo, tendem a se exercitar mais, já que os passeios e brincadeiras incentivam o movimento. Além disso, ter um pet pode ajudar a criar um maior senso de responsabilidade e uma rotina, o que a ciência já comprovou que pode nos ajudar a viver uma vida mais solar.

Girando a economia

Segundo dados do Sebrae, só em 2023 foram registrados 38 mil novos CNPJs relativos aos cuidados de animais domésticos. O mercado pet brasileiro inclui hoje mais de 285 mil empresas e deve alcançar um faturamento de R$ 76,3 bilhões em 2024. Mais da metade desse valor (54,7%) se refere ao segmento de pet food, o que envolve rações e petiscos, mas também cardápios completos de alimentação natural.

Pet ou gente como a gente?

Com tanto amor envolvido, os pets começaram a receber tratamentos antes reservados apenas a humanos. Festinhas com bolo e petiscos caninos, bichinhos passeando em carrinhos de bebê, joias, hotéis com mimos, cachorros que mal colocam o pé pra fora de casa. Da parte dos donos, esses cuidados podem até ser uma demonstração de amor. Mas até que ponto o animal se beneficia de ser tratado como gente?

Dados da Association for Pet Obesity (APOP) revelam que, em 2022, cerca de 60% dos gatos e cachorros domésticos nos Estados Unidos estavam acima do peso considerado saudável. Já o estudo Prevalence of pet anxiety in the US aponta que a ansiedade de separação tem aumentado entre animais, assim como o medo de outros pets. Além disso, o custo dos cuidados e o nível de dedicação pode levar a uma maior taxa de abandono, à medida que alguns donos não conseguem arcar com despesas tão elevadas.

Pra refletir

Não há nada de errado em querer dar o melhor pro pet que você tanto ama. No entanto, é essencial lembrar que o que traz bem-estar pra você nem sempre é o melhor pra ele — afinal, vocês são de espécies diferentes. É preciso entender o animal a partir da sua própria perspectiva, respeitando suas necessidades e instintos naturais. Pra isso, é importante contar com a ajuda de um profissional da área.

Se perceber que seu pet desenvolveu uma forte dependência emocional, o apoio de um adestrador pode ajudar a promover comportamentos mais independentes e a construir a confiança dele. Trabalhar o seu próprio apego excessivo também é benéfico: isso ajuda o animal a viver de forma mais segura e equilibrada, sem transferir pra ele a sua própria ansiedade. Acredite: ficar por dentro do que realmente faz sentido pro seu pet é uma das melhores maneiras de retribuir o carinho que ele dá.

Saiba mais:

· O livro O amigo (2019), de Sigrid Nunez.
· O perfil do especialista em comportamento animal Alexandre Rossi, com várias dicas interessantes sobre cuidados com os pets.
· O quinto episódio do podcast Platitudes, em que Leandro Karnal e Gabriela Prioli refletem: pet é filho?
· O post em que respondemos se os pets curtem surfar, andar de skate e praticar outros esportes.

Por que a gente gosta tanto de brilhar?

O fim do ano no Brasil tem tudo a ver com brilho. E isso vem de longe: em diversas épocas e culturas, a luz e os materiais resplandecentes foram usados na moda como forma de quebrar a rotina, sinalizar um momento especial e simbolizar vários sentimentos positivos. Ciente do valor que o brasileiro dá à escolha de um look pra brilhar no Réveillon, a Riachuelo acaba de lançar uma coleção exclusiva para as festas que se aproximam, com peças adornadas com paetês, strass e detalhes metalizados. Ou seja, tudo o que a gente precisa pra fechar 2024 bem e começar um novo ciclo!

No episódio mais recente do Desenrola, nosso podcast, a gente reflete sobre consumo. Vivemos o que alguns pesquisadores chamam de “a era do exagero”, em que tudo parece passar a mesma mensagem: devemos comprar sempre mais. Nesse cenário, como ter uma postura mais responsável? Conversamos com a consumer insight Carmela Moraes, o consultor de sustentabilidade André Carvalhal e a adepta do minimalismo Bel Albornoz sobre o assunto. Ouça agora!

🚨 Alerta de spoiler: Na próxima segunda-feira (11/11), nosso papo é sobre arrependimento. Além de ir às ruas e conversar com a nossa comunidade pra entender quais são os arrependimentos mais comuns, a gente pensa em formas mais saudáveis de lidar com esse sentimento que, apesar de desagradável, é essencial pro nosso processo de crescimento. Já segue o Desenrola na sua plataforma de áudio preferida pra não perder nada!

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