Sabe aquela pessoa que, ao chegar a um lugar, se destaca e conquista a simpatia de quem está ao redor? E não é por uma necessidade de ser o centro das atenções ou de agradar, mas de forma natural, simplesmente porque possui altas doses de algo que faz toda a diferença na hora de se relacionar: o carisma. Aprofundando o assunto do post que produzimos em colaboração com a Flint, um selo de edutainment focado em promover a Linguagem Creator pra profissionais de todas as áreas, a gente reflete sobre esse “superpoder” e apresenta dicas de como aprimorá-lo.

Será que eu tenho?

O carisma pode ser definido como um conjunto de habilidades — confiança, autenticidade, entusiasmo, desenvoltura etc. — que tem o poder de atrair, cativar e conquistar, de forma quase imediata, a aprovação e a simpatia dos outros. Pessoas carismáticas costumam ter uma presença marcante, conseguem comunicar suas ideias de maneira eficaz, além de criar conexões emocionais genuínas. Por essas e outras, essa qualidade pode trazer benefícios significativos em diversas áreas da vida, dos relacionamentos amorosos à vida profissional.

Em 2017, pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, realizaram um extenso estudo sobre o assunto e, a partir dele, desenvolveram e testaram uma espécie de “escala de carisma”.

Os pesquisadores sugerem que você se autoavalie de 1 a 5 (sendo 5 a nota mais alta) em cada um dos itens listados e, em seguida, calcule a média das suas pontuações. Se o resultado for superior a 3,7, seu carisma está “acima da média”. Embora existam outros fatores envolvidos, essa é uma forma prática de identificar seus pontos fortes e reconhecer quais habilidades podem ser aprimoradas.

Tudo depende

É normal que você sinta seu nível de carisma mais baixo em alguns momentos, ou note que ele vai se esvaindo após um tempo de interação. Ninguém possui uma fonte inesgotável dessa habilidade. Até mesmo quem já nasceu com um forte magnetismo natural costuma precisar de um tempo de descanso e solitude pra “recarregá-lo”.

Em 2020, a escritora e podcaster Camila Fremder criou a Associação dos Sem Carisma, uma comunidade e newsletter que funciona como um local de acolhimento — com muito humor — pra quem sente que seu dom de sociabilidade é escasso ou escorre pelo ralo em um piscar de olhos. Você fica sem energia após qualquer reunião? Ou evita compromissos por temer a quantidade de pessoas com quem terá que interagir? Se suas respostas foram positivas, é possível que você tenha encontrado sua turma.

Dom da conquista

Todo ano, o Dicionário Oxford escolhe uma palavra que reflete o clima, o espírito e as preocupações do período. Em 2023, a eleita foi “rizz”, uma forma abreviada de “charisma” (carisma em inglês). Popularizada principalmente pela Geração Z nas redes sociais, sua hashtag conta com mais de um milhão de publicações e 40 bilhões de visualizações no TikTok.

A gíria se refere ao charme e à capacidade de atrair um parceiro romântico ou sexual, e também pode ser usada como verbo no sentido de seduzir ou conversar com alguém. De fato, ter carisma pode ser um grande trunfo na dança do acasalamento. Quem nunca se interessou por uma pessoa não apenas pela aparência, mas pelo bom papo e pelo seu “algo mais”? No entanto, se você se considera alguém com pouco ou nenhum rizz, não se preocupe. O ator Tom Holland já admitiu em entrevista ao Buzzfeed que acredita não possuir esse atributo. E, bom, ele namora a Zendaya.

Bom de papo

Segundo Richard Wiseman, professor de psicologia da Universidade de Hertfordshire, no Reino Unido, e estudioso do tema, o carisma é 50% inato e 50% treinado. Ou seja, se fizer sentido pra você, é possível desenvolver e aprimorar essa habilidade. Que tal praticar falar em público pra ganhar confiança e clareza na mensagem que deseja transmitir? Isso vale tanto pra assuntos sérios e complexos, quanto pra conversas fiadas do dia a dia.

Usar histórias pessoais pra dar exemplos ajuda a criar conexões. Envolver as pessoas faz com que elas se sintam pertencentes à mensagem que você está transmitindo. Um estudo de 2023 da Harvard Law School analisou como líderes carismáticos utilizam técnicas de comunicação. Os que lançam mão de metáforas e histórias pessoais foram vistos como 60% mais persuasivos que os outros. Participantes que receberam treinamento em técnicas de comunicação carismática tiveram aumento de 45% no sucesso em negociações.

Conjunto completo

Mas ser carismático não se resume apenas a falar bem. Na verdade, ter uma escuta ativa — ou seja, demonstrar interesse genuíno pelo que as pessoas têm a dizer — é fundamental. Compreender o que o outro está sentindo e mostrar que você se importa de verdade pode não resolver todos os problemas, mas certamente trará uma sensação de acolhimento e de confiança.

A sua linguagem corporal também diz muito sobre você. Descruzar os braços, manter os ombros pra trás e adotar uma postura confiante são atitudes que certamente vão melhorar sua imagem. Um sorriso simpático também faz uma grande diferença. Uma pesquisa coordenada pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e publicada na revista Human Nature Behavior, sugere que um sorriso, mesmo que forçado, pode melhorar o humor.

Pedir feedback a amigos, colegas e mentores sobre como você se comunica e se apresenta é uma boa ideia. Depois, vale usar as respostas e identificar o que pode ser aprimorado pra que você seja uma pessoa ainda mais carismática.

Saiba mais:

· O livro Inteligência social: a ciência revolucionária das relações humanas (2019), do jornalista Daniel Goleman.
· O vídeo sobre a ciência do carisma, do cientista e professor de relações internacionais Heni Ozi Cukier pra Casa do Saber.
· O episódio Quick Thinks: Don't Sweat the Small Talk, do podcast Think Fast, Talk Smart.
· Nosso post sobre a importância de balancear a vida social com o descanso.

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