Pra muita gente, a maior parte dos dias da semana é ocupada pelo trabalho e outras responsabilidades cotidianas. Por isso, é comum querer aproveitar qualquer tempo livre pra fazer de tudo: ir a festas e outros rolês com os amigos, estar presente nos almoços de família, dar aquela fugidinha pra praia etc.

Várias pesquisas já comprovaram e a gente sente na prática como o contato com as pessoas que amamos deixa a nossa vida mais solar. Mas é preciso tomar cuidado com os excessos. Quem nunca teve a sensação de estar se afogando na agenda social? Aqui, a gente fala sobre esse sentimento e a importância de dar uma sumida — seja no mundo físico, seja no virtual.

De olho na bateria social

Um estudo da Universidade do Kansas realizado no ano passado concluiu que ter uma “nutrição social equilibrada” é essencial pra alcançar o bem-estar. Ou seja, precisamos de interações de qualidade com outras pessoas, mas parar e saber apreciar a nossa própria companhia de vez em quando é fundamental pra essa equação.

Cultivar boas amizades ou relações familiares saudáveis requer saúde emocional pra interagir com os outros sem irritação, ressentimento ou aquela sensação de estar cumprindo uma obrigação. É como se todos nós tivéssemos uma bateria social, cujo nível de energia varia conforme o uso e os momentos da vida. Por exemplo, depois de um fim de semana cheio de encontros, é importante ter momentos mais tranquilos, até pra poder absorver tudo o que foi vivido.

Aproveitando a solitude

Muitas vezes, os compromissos superlegais que a gente assume no piloto automático acabam adiando a vontade legítima de passar um tempo cuidando da nossa própria vida. Pesquisas já comprovaram que a solitude — ou seja, o tempo que escolhemos passar sem a companhia de outras pessoas, descansando da interação social —, pode trazer mais criatividade, menores níveis de ansiedade e até uma maior rede de amizades.

Vale dizer que existem dias em que você não quer ficar só, e que, por nos fazerem olhar mais pra dentro, esses momentos podem vir acompanhados de sentimentos complexos e não tão agradáveis. Mas eles são importantes até mesmo pra entender o que anda incomodando você. Também vale pontuar que, pra aproveitar um tempo de solitude, é preciso se priorizar, impor limites e dizer alguns “nãos”.

Não perturbe ativado

Você já parou pra pensar que, hoje, “sumir” do mundo físico pode ser mais fácil do que do digital? As redes sociais são pensadas pra que a gente passe cada vez mais horas consumindo e produzindo conteúdo. Segundo especialistas, essas plataformas atuam diretamente no nosso “circuito de recompensa” que libera doses de dopamina quando um estímulo externo é interpretado pelo cérebro como algo prazeroso.

Uma pesquisa recente realizada pela Unifesp mostrou que 68% dos adolescentes brasileiros sofre de dependência moderada em relação às tecnologias e mídias sociais, enquanto 20% se enquadra na dependência grave. É por essas e outras que o já conhecido FOMO tem dado lugar ao “FOLO”, sigla pra fear of logging off — traduzindo, o medo de ficar desconectado. Mais recorrente em jovens, essa sensação de estar por fora de algo que está rolando no universo digital — seja o meme do momento, seja o que seus amigos andam fazendo — costuma trazer sentimentos como angústia e ansiedade.

No episódio “Ostentação espiritual”, do Desenrola, nosso podcast, o psicanalista Guilherme Facci argumenta que, hoje, postar algo nas redes sociais “é uma maneira de afirmar a própria existência”. Se essa frase pareceu forte demais pra você, pense no estranhamento e na desconfiança que sentimos ao descobrir que certa pessoa não está presente nas redes, ou na preocupação que surge quando alguém próximo fica offline por algum tempo.

Me chama que eu (não) vou

Se só de pensar nos compromissos que você assumiu pra esse fim de semana bateu uma preguiça monstro, talvez seja a hora de dar uma sumida. Pra que esses momentos de “isolamento” também sejam prazerosos, além de reservar um tempo pra fazer nada, procure praticar hobbies e atividades que você curte.

Também está pensando em se afastar das redes sociais por um tempo? Por via das dúvidas, vale dar um toquezinho nos amigos e familiares mais próximos pra evitar preocupações e, depois, curtir um tempo no maravilhoso mundo da solitude offline. Pode ser útil começar com períodos mais curtos e, depois, se você sentir vontade — e tiver a possibilidade —, prolongá-los. Indo por esse caminho, tem cada vez mais gente abandonando de vez as redes sociais.

Sabe o que vai acontecer se você der uma sumida? Provavelmente, nada. É bem capaz que a maioria das pessoas nem note. São nessas horas que a gente entende que não é tão importante assim — e isso é ótimo.

Pra saber mais:

· A matéria How much social interaction do you actually need?, da Vox.
· Nosso post sobre a importância — e o desafio — de passar um tempo sem fazer nada.
· O TED O segredo para uma vida longa pode estar na sua vida social, de Susan Pinker.
· O episódio Vida offline (ou sobre um tempo fora das redes), do podcast Para dar nome às coisas.

No episódio mais recente do Desenrola, nosso podcast, convidamos a futurista, palestrante, consultora e apaixonada por viajar Daniela Klaiman, e o cofundador da empresa de montanhismo e trekking Entre Picos Caique Fiali, pra compartilhar suas experiências com o turismo de endorfina, esse tipo de viagem que traz novos estímulos pro sistema nervoso e pode ser realizado tanto na natureza quanto na cidade. Ouça aqui.

🚨 Alerta de spoiler: na próxima segunda-feira (15/4), o papo é sobre dizer e ouvir um “não”. Convidamos a comunicadora, influencer e empresária Lela Brandão, criadora da marca de roupas Lela Brandão Co. e do podcast Gostosas também choram; e a psicanalista, professora e escritora Ana Suy, autora do best-seller A gente mira no amor e acerta na solidão, pra refletir sobre a importância de impor limites e dar dicas de como fazer isso da melhor forma. Já segue o Desenrola na sua plataforma de áudio preferida e aproveita pra dar cinco estrelas pro podcast!

texto: Dandara Fonseca | edição: Adriana Setti | arte: Eduardo Gayotto

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